domingo, 29 de dezembro de 2013

O que eu queria neste Natal?

O que eu queria neste Natal?
Quero os dias todos do ano. Quero todas as horas do dia. Quero todos os minutos e segundos.
Quero o som do vento a bater nas folhas, quero o som da água que corre, quero o som do trovão que ribomba, quero o pássaro que canta, a flor que se exibe, o som dos meus pés a calcar as folhas.
Quero sentir a brisa do mar, o gotejar do orvalho que me cai no corpo depois de ter deslizado pelas folhas da árvore. Sentir o calor do dia no rosto, o pólen das flores nos olhos. Quero sentir.
 Quero sentir o calor do vosso abraço, quero sentir o brilho dos vossos olhos e ouvir bem alto o som da vossa alegria. Quero sentir o frio de chão quando brinco convosco. Quero sentir essas mãos pequeninas no meu rosto, procurando aconchego nas minhas, quero sentir o vosso coração a bater encostado ao meu num abraço que deveria durar uma eternidade. Quero sentir o cheiro de quem amo e enfrascá-lo em mim. Quero tocar o meu rosto feliz. Quero tocar o céu com a ponta dos meus dedos.
Quero ver esse corpo que balança ao ritmo da música, quero ver esse ser que me vê, quero ver esse dia que me espera, quero ver a folha branca, quero ver o copo cair. Quero ver e reparar. Quero ter a capacidade de ver.
Quero saborear o meu dia a dia. Quero saborear o que tenho de bom todos os dias. Quero largar sorrisos ao vento e espalhar aquilo que sou e que tenho e que torna os dias worthy.

O que eu queria neste Natal?

Quero os dias todos do ano. Quero todas as horas do dia. Quero todos os minutos e segundos. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Corre o vento, corre livremente
Corre sem correntes que o prendam
Sem amarras
Sem condicionantes
Corre desbragadamente
Até mais além

Eu aqui
Eu aqui presa
Eu aqui amarrada
Acorrentada
Amordaçada

Vejo
Vejo o que poderia ser
Vejo a vontade de ser
Quero ser

Invejo o vento
In vejo o vento
Sinto-o cá dentro
Causa tumulto
Transtorna
Transforma

E quando em furacão se tornar

Nada me irá parar

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

as-sumut

a·zi·mu·te


(
árabe as-sumut, plural de samt, caminho, .direção, ponto no horizonte)

substantivo masculino
1. [Astronomia]  Ângulo diedro orientado em aresta vertical que faz o plano vertical passando por um ponto dado ou observado com o plano meridiano do lugar do observador.

"azimute", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/azimute [consultado em 18-11-2013].


Podem vir as intempéries
Os vendavais e tempestades
Podem até trazer ainda os tornados
Espalhando má-fé e ruindades

Podem ainda vir o sol escaldante
O deserto, a angústia e alucinação
Podem até vir gritos de desespero
Fugindo o ânimo… parece maldição

Mas o samt está traçado
Sei o ponto que sigo
Não perco o ponto no horizonte
Sei que estás comigo

O compromisso foi feito
Estou aqui para servir
Com a promessa que me rege
Sei o caminho a seguir

E há partilha e respeito
Abertura e honestidade
Um caminho de valores
Que nos encaminha para a felicidade

O azimute está traçado
Vou de vara na mão
Os caminhos a percorrer
São decerto uma lição

Nunca estarei só
Nunca seremos sós
Eu, tu neste samt

Seremos o azimute, seremos nós

domingo, 3 de novembro de 2013

Descobri que o mundo é apertado.

Descobri que o mundo é apertado. É um túnel escuro e esguio, onde mal cabem os ombros, onde nos falta o ar querendo por vezes parar no caminho e deixar de tentar encontrar a luz do dia. E como se não bastasse o percurso ser árduo, o ar ser pouco e quase irrespirável ainda passam os morcegos, bem negros, como que a gozar por conseguirem passar sem dificuldade, agoirando o nosso fado… pobres morcegos que não sabem o que é a luz do dia… que não suportam a luz, a claridade, a transparência. Vivem de tal modo nesse mundo obscuro que não sabem viver de outra maneira, nem conhecem essa liberdade de espirito, essa harmonia que a luz traz à nossa vida.
Este sufoco parece não ter fim, quando há um desafogo no percurso, estreita-se de imediato, escavamos, arranhamos, tentamos passar e sair dali e as nossas mãos prostram-se, o corpo rende-se e a mente deixa de acreditar.
E até te podem lançar uma corda. Até te podem empurrar pelos pés, e até te podem puxar pelas mãos… podem até abrir uma abertura para que saias do túnel, mas a tua mente… é ela que constrói estes túneis, é ela que só vê os morcegos, é ela que desiste e que não deixa o teu corpo avançar.
Liberta-te desse túnel. “Vem cá fora ver o sol que já nasceu, os pássaros a cantar. Vem só tu podes descobrir o que o dia reserva para ti.”

Está na tua mente, está em ti, Deus confiou-te este fado porque sabe do que és capaz. E tu? Tu és capaz.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Num mundo ideal
Estaria sentada na esplanada
Olhando o mar e o areal
Olhando o horizonte
Sem nada esperar
Podendo estar eu a sonhar
Com este mundo ideal
Completamente irreal
Que se escapa entre os dedos
Desta tonta mortal
Procurando o farol
Lançando o anzol
Queria deixar-me levar
Pelo leve soprar
Pelo pássaro a chilrear
Pelo mundo a rodar


Pés assentes na terra...
Onde estou eu afinal?
Este mundo não é o meu ideal!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Deus

Sou um esboço mal amanhado
Um desenho mal rabiscado
Confuso, todo emaranhado
De um lápis já cansado

Sou a água turva do rio
Baça, com um ar frio
Onde boiam impurezas
De alguém sem certezas

Sou um conjunto de palavras
Proferidas por gentes ousadas

Mas não sou isso não
Para me verem usem o coração
Retirem os óculos escuros
Libertem-se desses escudos

Sou a pureza, a tranquilidade
Sou a gota de amizade
Sou o equilíbrio da razão
Quem me encontra abre o seu coração

Fui condenado
Estive na cruz
Mas é o ser humano que me conduz

Liberta essas amarras
Ressuscita como eu fiz
Se eu em ti viver serás feliz.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

As tuas palavras de nada valem
Aqui neste meu mundo não têm grandeza
São flores belas que colheste no jardim
São as espigas mais douradas do campo
São as luzes mais coloridas que já vi

Agora olha
Repara bem
Fecha os olhos
O que vês?

São artificiais as flores que colheste
São espigas desprovidas de milho
São luzes tapadas por papéis que se queimam rapidamente

Quem és afinal?
Não são as palavras que te definem….

Hoje semeaste a flor
E o teu rosto era tão luminoso que vi a generosidade
Vi o amor quando deste de ti

Hoje colheste o milho,
E brotou um sorriso porque colheste aquilo que semeaste
E era tão belo que uma lágrima se escapou

Hoje houve silêncio.
E ouvi o teu barulho…
O som que de ti sai…
A música do teu corpo…

 E fez-se luz
Verde, azul, amarela, vermelha, verde, roxa

E és tão belo quando te mostras assim…
Quando és mais do que as palavras que libertas
Quando as tuas ações te definem
Quando és o exemplo a seguir

TU és o exemplo que eu quero seguir…

Chiiiuuuuuu!


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Silvina

Hoje queria falar-vos de alguém muito especial. Não ganhou nenhum prémio nobel, não pertence a nenhum partido político, não é cantora que se conheça, não é artista de novela, não é acrobata de circo, não é médica reconhecida, nem a professora da aldeia.
Está quase nos setenta. Os cabelos brancos e as rugas no rosto são marcas de uma vida de luta, uma vida de trabalho. Nunca teve facilidades. Aos treze já trabalhava, aos 32 casava, aos 33 primeira filha….momentos muito difíceis entretanto… dores de mãe, difíceis de falar, difíceis de expor… aos 40… bem aos 40… aos 40 desabou o céu e o chão fugiu-lhe dos pés e agarrada aos dois filhos entrou num abismo de uma viuvez, de um recém nascido, de uma casa nova, de uma reviravolta estranha, surreal…. Mas agarrou-se a qualquer coisa, aos filhos? Ao sentido que a vida fazia para si? A tudo? A nada? E construiu um caminho novo, derrubou barreiras, medos, arregaçou as mangas e semeou na terra aquilo que mais tarde queria colher.
Não tem ternura nos olhos (a não ser quando vê as netas) porque a vida não lhe mostrou a ternura, não tem palavras meigas e gentis na boca, porque a vida a ensinou de que pouco valem em situações limite, não tem amigas para tomar chá, não vai à ginástica, não socializa muito. Vive semeando. Vive dando o apoio de estar presente junto dos que envelhecem, mostrando disponibilidade e dois dedos de conversa corriqueira. Vive para a família que precisa dela.
Não sei se acredita na amizade, nem sei se acredita no amor desmedido e cego. Acredita no que vê, nas intuições que tem, no trabalho das suas mãos. Nunca criou expetativas sobre nada, muito pelo contrário, mais depressa via o erro, o mal, a desconfiança. Silenciosamente celebrava as vitórias dela e dos filhos… nunca ouvi um elogio, nunca senti uma palmada no ombro… mas vi o brilho no olhar, a verdade das palavras, a análise fria das coisas.
Se há um herói na minha vida, é ela. Ela, sempre fiel aos seus princípios, sempre à altura das situações, sempre de mangas arregaçadas.

Mãe, a maior lição que me deste foi a definição da palavra humildade através do teu exemplo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ask.fm

Um amigo meu partilhou hoje um artigo sobre o Ask.fm e o modo como os jovens se agridem verbalmente, psicologicamente, acabando por serem vítimas de bullying.
Ontem estive na Livraria Arnado onde me deliciei com uma compilação de Luísa Ducla Soares de poemas dela e de outros autores com matérias do 1º ciclo.
E perguntam vocês qual a relação entre estas minhas duas frases. Aparentemente nada, não é?
Pois tenho uma teoria sobre isto….
Deixaram-se de ler histórias às nossas crianças… deixou-se de criar castelos, princesas, dragões, mau feitores e outros mais no imaginário delas. Toda a história não é apenas uma história, não são palavras que se juntam ao acaso, não são ideias desconexas. Cada história tem implícito o bem e o mal, o respeito, o egoísmo e o altruísmo, cada história tem o dom de ensinar, sem que as crianças saibam muito bem, o que são estes valores, elas guardam lá no fundo da sua mente os valores que prevalecem, os valores que serão as bases para o seu futuro.
Hoje em dia, até porque nós pais temos mais que fazer, é mais simples dar às crianças um computador para se entreterem, uma WII, uma PSP, qualquer coisa em que possam estar entretidos para estarmos à vontade nos nossos afazeres do dia a dia. Sim, a mim também me convém que elas passem um tempito em frente à televisão para eu puder fazer as minhas coisas…. Todos nós o fazemos.
Chegam à adolescência. São jovens terra a terra. São jovens do clique, do imediato, do consumo, do fácil. São jovens do ler dá trabalho, interpretar muito trabalho, do escrever nem pensar, do construir textos que maçada. São jovens que não entendem poesia porque é demasiado complexa, não compreendem o simbólico, o entrelinhas… são jovens que optam pelo acessível. É tão fácil chegar a um computador e dizer o que lhes apetece. Conquistas? Fazer amizades, confiar??? Isso requer tempo e paciência. Como dizia o Principezinho há que cativar, se me cativares serei teu… quantos jovens fazem isto? Quantos dedicam tempo à sua flor (seja ela amigos, famílias namorados)?
Ontem li poemas à minha filha. Tem 5 anos. Ela gostou, mas quando perguntei o que tinha ela percebido, a resposta foi um não sei. Tive de a direcionar, tive de lhe explicar. Não sei se um dia também ela se vai sentar frente a computador escrevendo frases diabólicas desprovidas de bom senso e de respeito, mas tento agora fazer algo para que no futuro isso possa não acontecer, para que a sua mente seja mais arejada.


sábado, 10 de agosto de 2013

Final de uma semana fantástica

 Tudo começou há um tempo atrás. O tempo necessário para que se preparasse uma atividade verdadeiramente marcante, inesquecível que tocasse nos vossos corações.
Durante este caminho, a equipa pneuma teve o privilégio de conviver com pessoas verdadeiramente especiais, únicas que partilharam os momentos mais belos desta fase da nossa vida.
Houve o lançamento dos males no mundo dos humanos e todos os dias assistimos às consequências do egoísmo de quem nos rodeia, da infidelidade em relação aos nossos valores morais, do mau uso que se faz da sabedoria que temos, à falta da pureza nos atos de quem nos rodeia. Saboreamos o que tem sal a mais e que é tanto que nos impede de sentir tudo o resto, ou do doce que nos conforta e nos arranca um sorriso do coração.
Mas há sempre um balão branco. Um balão que levamos no pulso e que nos endireita. Este balão está cheio, não com hélio, mas com os valores que pusemos a render, está cheio com aquilo que semeámos na terra, o melhor de nós, e que vão florescendo aos poucos e que fazem com que o balão nunca perca a sua forma.
A jornada pode nem sempre ser fácil e estes clãs partilharam vivências fantásticas com pessoas cuja missão no mundo é dar mais, é dar o pouco que têm para servir o próximo, pessoas que tiveram percursos cheios de balões negros mas mantiveram sempre o balão branco erguido.
Estes clãs encheram os balões brancos dando o melhor que têm. Deram sorrisos, ofereceram músicas, colocaram pessoas a dançar e certamente que tornaram o dia de alguém mais feliz, mostrando que amor com amor se paga. Dando o melhor de nós, recebemos o melhor do outro. O dedo que Deus colocou em nós, tornou-nos mais puros, mais verdadeiros.
Se todos nós libertarmos da nossa caixa aquilo que temos de melhor, o mundo será diferente, conseguiremos mudar vidas, atitudes mostrando através das nossas ações é possível derrubar o balão negro, o caos.
Descobre o que tens dentro – a caixa és tu!

Que o pneuma ( ou seja , o espírito) deste Rover fique para sempre nos vossos corações.        

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Hoje acercou-se de mim
Arrancou a chama de uma só vez
E virou costas…
Ouvi o riso trapaceiro à medida que se afastava.

-Não vás!

Gritei o mais alto que pude
Mas o som era mudo
Fiquei uma boneca
Inanimada, parada
Sem brilho no olhar
Esquecida na viela
Espezinhada pelos bichos
Desprezada pelos demais…

Volta!

Afinal com que direito me roubas?
Porque me levas a alma?
Porque me levas o ânimo?

Não me leves de mim
Não me conheço assim

Quero o sorriso no olhar
Quero o brilho do meu ser
Quero ser a chama


Volta!

domingo, 21 de julho de 2013

O carro escondido

E hoje dizia-me o noivo: “Mais difícil foi encontrar o carro, faço analogia aos verdadeiros amigos”.
Não há imagens, vídeos ou palavras que descrevam o dia de ontem. Verdadeiramente surpreendente, um dos melhores dias da minha vida, sem dúvida alguma.
Há mesmo que consiga extrair de nós o melhor que temos para dar. Bastaram dois papéis enrolados para colocar um sorriso no coração… palavras dirigidas para mim, de dois amigos que resolveram fazer caminho juntos.
Depois soltei a gargalhada que anda aqui presa há um tempo… “wedding team”? LOLOL… fantásticos babetes… 
Fizeram-se puzzles, as pessoas mexeram-se e misturaram-se, bateram palmas, vibraram com os desafios que iam sendo colocados e tenho a certeza que durante este dia todos os convidados calçaram as botas nos pés, pegaram no bastão de caminhada e estiveram ao vosso lado… foi lindo o modo como nos conseguiram envolver. Acredito que só há aprendizagem se houver envolvimento e este casamento viverá para sempre na memória daqueles que vos acompanharam porque estiveram presentes e todos contribuíram para a construção do quadro… o vosso quadro… o vosso começo… os dois caminhos que se tornaram um.
A amizade. Foi ela que vos uniu. É ela que nos une. E bastou um olhar vosso para que as palavras se soltassem, para que as coisas acontecessem e para que momentos mágicos surgissem.

Por isso não nos importemos de passar muito tempo a pensar que não temos amigos e a ansiar para que surjam… quando menos esperamos lá estão eles, escondidos com o “rabo de fora”. Mas quando os encontramos, é mágico…

terça-feira, 16 de julho de 2013

A amizade é como um banho quentinho...

Sim, mesmo sem que eu queira elas vão aparecendo, uma atrás da outra lembrando como é bom ouvir a voz tranquila de quem gostamos. Há noites em que os sonhos nos despertam de uma forma horrível. E há no coração um aperto que nos faz pegar no telefone e ligar.
Não há coincidências, não há mesmo. E também não há amizades gastas pelo tempo. Não são papéis desbotados e amarrotados, sem cor e sem utilidade atirados para um canto qualquer, esquecidos por detrás de um móvel que há muito não é arrastado.
As amizades são como um banho quentinho, fazem-nos um bem enorme, aquecem-nos a alma e enriquecem as nossas vidas. E podemos não estar em corpo mas sabemos que estão lá e que basta um gesto para lhe arrancarmos um sorriso e para lhes tornar o dia diferente. E que um gesto por mais pequeno que seja é o suficiente para sabermos que o papel tem cor, e ainda está intacto guardado com todo o cuidado no mural da nossa vida.
Não há nada que valha mais do que saber apreciar uma amizade, não há nada que valha mais do que saber que não há o medo de não ser entendida, ou de pedir ajuda… nada vale mais do que a entrega de um amigo, a entrega completa. O amigo que nos sabe é o amigo.
Se as lágrimas correm hoje, é de felicidade por Deus me mostrar quem são os importantes, o que é mais importante.
Hoje sei que não vale a pena forçar, não vale a pena lutar… é natural, é assim.
Hoje no brilho de um olhar senti-me feliz, hoje no sorriso do lado de lá do telefone chorei de felicidade.

Sou feliz porque tenho a amizade pura, singela e natural na minha vida. Obrigada por isso. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

As pernas começam a perder força, o corpo parece nem ser nosso. A mente baralha-se, não há resposta. As mãos tremem, o peito dói muito de apertado. Não se consegue estar, não se consegue ouvir, não se consegue ser. Passa-se a ser um vegetal, colado a um sofá, e o espaço fica confinado àquilo mesmo. E surge a dúvida. Será que vamos sair daqui? Quando? Para quando o voltar das forças? Queremos estar, mas não, deixem-nos ficar aqui nesta solitária cheia de incertezas. Não queremos ver ninguém. Dois passos para fora do sofá e parece que o mundo nos abana. Não somos nós.
Na mente está tudo turvo. Procuram-se as explicações. A vontade de perceber o porquê é inerente ao ser humano. Mas, neste caso, as respostas estão guardadas num cofre blindado e invisível.
Poderia encontrar algumas razões. Mas para quê? Identificados os motivos, concluo que nada posso fazer em relação a isso. E meu rosto entristece mais. Não entra comida. Perco ainda mais as forças.
Mas algures, entre as horas solitárias, sorrio. Há quem faça magia aqui em casa. Há quem me consiga arrancar sorrisos, há quem me faça ganhar forças porque precisa de mim. Há quem confie mais em mim do que eu mesma. Há quem me envie palavras de conforto, que se preocupe e que me mostra que está ao um lado nos bons e nos maus momentos. Há amigos, daqueles poucos a quem faz sentido que os chamemos assim.
As razões são colocadas numa caixa e fecho-a a sete chaves. Não quero saber delas. Quero o que me dá força. Quero os sorrisos, os gestos, os que acreditam em mim, os que me fazem avançar.
São estes momentos que fazem surgir as mais belas flores dos nossos jardins.

Que se arranquem as ervas daninhas!

quinta-feira, 25 de abril de 2013


Há 13 anos que guardo este pequeno pedaço de papel. Vai mudando de carteira para carteira, vai mudando de lugar e permanece junto com outros papéis que ocupam o lugar por um curto espaço de tempo.
Sei exatamente onde estava naquele dia, sei exatamente qual era o telemóvel que tinha quando me fizeram a chamada, sei quem estava do outro lado do telefone, a mesma pessoa que 13 ano depois me volta a inquietar-me com a mesma questão e, possivelmente, também não me esquecerei do local onde estava, nem da voz ao telefone…
Todos os dias a vida nos lança estes desafios, que nos levam a questionar as razões que os outros tiveram para nos escolherem para determinadas tarefas, e muitas das vezes, vasculhamos, feitos baratas tontas, as razões que levaram essas pessoas a fazerem isso.
Hoje, 13 anos depois, descubro que a resposta a esta questão está no futuro… não está no passado. É aquilo que somos capazes de fazer que nos torna especiais, não é o que fomos, nem o que fizemos. São os valores que empunhamos, a envolvência que temos e termos a certeza de que onde quer que estejamos faremos sempre o nosso melhor, daremos sempre mais, seremos sempre homens novos ajustados às situações que nos vão surgindo…
É isto que se chama fazer caminho. É aqui que está a chama. Uma luz forte que nos guia, e, confiantes, caminhamos para ela.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ingenuidade


Às vezes fico a pensar que a minha ingenuidade é inacreditável. É como se fosse uma mulher de 34 anos que ainda acredita que o Pai Natal existe e que anda ali o ano inteiro a preparar, com os seus amigos duendes, uma época festiva fantástica, cheia de luzes, de cânticos, de calor, de abraços, sorrisos, cachecóis de amizade a amor por todo o lado. Que idílio…

Mas depois há uma mão gigantesca que atinge a minha face e me diz: CRESCE… e mostra-me que o Natal é uma fachada consumista, que é um pretexto para se consumir, e, muitas das vezes, as pessoas esquecem a verdadeira razão do Natal, natividade, nascimento… o salvador nasceu.

E no meu dia a dia lá ando eu, feita tola às vezes, a tentar mudar o mudo, a fazer deste local a better place… e fico possessa por não mudar nada, por haver quem possa mudar e nada faça, por esta porra desta vida ser injusta como o raio, por me apetecer gritar e emudecerem-me com estatutos mais elevados, com frases feitas e hipocrisias.

Erguem-se bafejando palavras cheias de poder e ostentação, erguem-se usando os argumentos mais válidos, erguem-se cegos e surdos. Tendo olhos só vêm o azul que lhes convém, o turquesa, esquecendo o azul mar, o azul claro, o escuro e todos os outros. Tendo ouvidos, só o som das suas vozes faz sentido, e tamponam-nos a outros sons…

Mas como continuo a acreditar no Pai Natal, arregaço as mangas e no que depender de mim, haverá Natal com tudo o que há direito, sem esquecer o valor verdadeiro que as coisas têm…

domingo, 7 de abril de 2013


Imagino-o sentado numa rocha
Os seus olhos alcançam o horizonte
Perdem-se entre as florestas, as montanhas,
Os rios, as casas, os mares…
As suas barbas brancas escondem o seu rosto
Há nele um peso gigantesco
Um semblante carregado como uma nuvem cinzenta
Que paira no ar e que esperamos que rebente a qualquer altura

A certa altura esconde a cabeça entre os joelhos
Como que espera que alguém a arranque daquele esconderijo

Queria poder sentar-me junto a ele
Queria poder entender
Queria poder explicar
Queria poder…

Cada marca no seu rosto cansado
É um dedo que lhe foi apontado
Um dedo delator
Um dedo fraco
ignorante, arrogante.

Culpam-no de tudo.
Se há alguém que tem culpa dos fracassos
da vida, dos sonhos, das relações…
Foi ele.
Tudo ele.

Ninguém vê que ele não tem culpa.
Ele é o que é.
A culpa é nossa.
Ele não fez nada.



É tempo de lhe dar tempo
E não culpar o tempo
De não haver tempo
Porque o há.
Faz tu o teu tempo!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Espelho da mentira


mentira 
(origem controversa)
 

s. f.
1. Acto de mentir.
2. Engano propositado. = FALSIDADE
3. História falsa. = PATRANHA, PETA, TANGA
4. Aquilo que engana ou ilude. = FANTASIA, ILUSÃO

in Priberam

A origem da mentira é sem dúvida controversa, não sabemos muito bem como vai crescendo, quando damos por ela, já lá estamos dentro, os nós são cada vez mais apertados e dificultam o nosso próprio entendimento das coisas.
Começa por ser um engano propositado para ocultar uma atitude menos boa, para simplesmente nos divertirmos com a reação do outro, ou porque, no momento, facilita as coisas.
Passa a ser uma patranha bem elaborada, com contornos muito reais e, de repente, passa a fazer parte da realidade e começamos a viver a ilusão de que a mentira é verdade.
A maior mentira de todas é que aquela que há em nós, é aquela que nos faz olhar ao espelho e vermos outra pessoa, pintamo-la com maquilhagem de alta qualidade, arrebitamos o nariz e saímos de casa confiantes. Pintamo-nos para os outros e esquecemo-nos de nós.
Até que um dia o espelho aponta. E com olhos de ver, reparamos naquilo que somos, na mentira que construímos. Está em nós. A ilusão está criada. Há quem já nos tenha “visto”, há quem já tenha tentado virar o espelho para nós, mas a venda que pusemos não nos deixa ver.
As mentiras que mais me magoam são estas. Daqueles que não reparam em si, nas suas atitudes, na maneira como os seus gestos influenciam a vida dos outros.
Tirem a venda… reparem… 

sábado, 30 de março de 2013


Há caminhos enlameados, esburacados, armadilhados que fazem da nossa jornada algo que chega a ser quase insuportável. O segredo está nas botas que calças, nas meias que vestes e nas roupas escolhidas.
A roupa pode estar coberta de lama, os teus cabelos podem ser atravessados pelo rio que parece não ter fim, os teus olhos piscam na tentativa de ver o caminho, mas não desistes porque as botas mantêm os pés confortáveis e até quentes, as roupas protegem-te do vento e sentes que há algo maior que te guia.
Há uma altura no caminho em que a tua alma parece esmurrada e o corpo parece perder forças. Surge então um sorriso, surge uma mão também molhada que te segura e tu lembras-te de que não estás sozinho, que outros te acompanham. Eles são as tuas botas secas, a roupa que te protege, os olhos que te guiam.
Foi naquele momento, olhando ao meu redor que eu vi. Pessoas que fazem caminho comigo, partilham as dores da jornada, procuram a esperança na fé, e ganham forças.
As minhas botas secaram, a lama saiu da roupa, os meus olhos veem o caminho. O caminho da esperança, a força do servir, a certeza de um dia solarengo que me espera sorrindo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Caminho


É hora de me fazer a caminho. Mochilas às costas, garagem aberta e bicicleta de pneus cheios. Levo no coração um medo escondido, como uma comichão chata que só queremos que desapareça, mas que pede que a coce mais. Não me recordo da última vez que me fiz a caminho de bicicleta. O que será que vou encontrar? Será que correrá bem? Ainda saberei ser escuteira em campo? E fora dele? Já há tanta coisa que não recordo…
A cada pedalada aumenta a dificuldade, o peso das mochilas multiplica-se, o coração bate com mais força. Será do esforço?
Sei que ninguém me conhece e que tudo será novo, sei que já há um trabalho conjunto que dura há vários meses. Será que encaixo?
Levo na minha mochila a vontade, o sempre alerta para servir, o amor ao próximo. Levo experiências para partilhar, levo a bicicleta à mão. O caminho não é fácil, a mochila toma conta do meu corpo. Empurro os dois. Não vou desistir. Sou persistente e levo as minhas convicções para a frente.
Faltam só mais uns metros. Subo para a bicicleta novamente. Ela leva-me. Eu só guio. Leva-me este meu amor ao escutismo. Eu só guio os meus passos, escolho um dos caminhos e vou com a mochila cheia de fé, convicta dos meus sonhos.
Chego finalmente. São muitos os olhos que pousam em mim, seja pela curiosidade de saber quem sou, seja pela surpresa de vir de bicicleta. Fiquei sem folego, o coração batia em alto ritmo, mas a alegria de partir para o desconhecido é inebriante.
Afinal fazer caminho é mesmo assim, uma viagem de bicicleta com uma mochila carregada de sonhos que nos empurram, as viagens são difíceis, cheias de provações, mas somos fortes porque acreditamos e somos movidos por algo maior.
Senti que estava com todos desde o primeiro dia, senti-me em casa, senti o carinho, senti a partilha.
Obrigada por encherem a minha mochila de alegria, de momentos únicos e por me mostrarem que isto de andar nos escuteiros é como andar de bicicleta: Nunca se esquece….
Boa caça
Gato Preto

segunda-feira, 18 de março de 2013

Para ti Raquel...


- Bom dia. Então como tens passado?
- Nem queiras saber, ando aqui com uma dor…
E assim se dá início a uma enumeração dolorosa de acontecimentos tristes e desagradáveis que nunca mais terminam. É claro que o desenvolvimento da conversa é óbvio: cada um vê do que se queixa mais, qual é mais miserável, qual está pior na vida. Às vezes até parece que estamos num concurso a ver quem é que tem a vida mais cheia de problemas. E no fim da conversa surge o típico:
- Temos de ter paciência, é assim a vida.
Ai é?
Pois hoje decidi que não me vou queixar. Aliás queixar de quê? Não tenho o que me queixar. Hoje tenho a agradecer. Tu hoje já agradeceste?
Há que agradecer a beleza da primeira flor que nasce nesta primavera, há que agradecer o sorriso daquele desconhecido que passa por nos na rua, a saúde que ainda temos, os amigos que invadem a nossa casa para connosco partilharem sorrisos e parvoíces, os amores, as aventuras, as coisas que vamos conseguindo alcançar… Obrigada, OBRIGADA, OBRIGADA!!!!!
E se houver um pontinho negro que nos incomoda e nos irrita, vamos dissecá-lo até encontrar um ponto arco iris que nos vai mostrar que há uma razão em tudo….
Hoje, se vos perguntarem como estão respondam apenas:
- Comigo? Está tudo ótimo.
E agora vejam a reação da outra pessoa, os olhos perscrutando o teu ser. Espeta um sorriso no rosto e espalha a magia a tranquilidade e da despreocupação…
Agora faz-te ao caminho e muda vidas e atitudes….



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A língua portuguesa


Aquele seria o seu primeiro dia de escola. Pegou-me na mão e caminhámos lado a lado em direção à escola, onde a professora primária se propunha a ensinar pessoas adultas a ler e a escrever. A minha avó estava verdadeiramente entusiasmada. Poder vir a assinar o seu nome era uma ambição que tinha há muito. Tinha então sessenta e qualquer coisa, e até ao fim da sua vida fez sempre questão de assinar o seu nome, e de ler livros que estavam ao seu alcance.
Hoje em dia, ler e escrever é um dado adquirido, melhor, ou pior, a maior parte das pessoas sabe escrever, e uma menor parte das pessoas lá vai lendo um ou outro livro. Mas saber escrever bem é uma arte e saber ler bem também o é. A leitura e a escrita são essenciais para a nossa sobrevivência. O saber interpretar, a escolha das palavras certas, palavras que nos arrancam sorrisos, suspiros, lágrimas, alento… o poder da palavra bem proferida é imenso….
Saber dominar, manejar e administrar as palavras é algo que almejo, é algo que admiro naqueles que o fazem bem, chegando a invejar a destreza, a inteligência e o domínio desta nossa língua tão rica, tão linda, tão mágica.
Não, não consigo entender. Tenho este amor cá dentro pela literatura e quero muito que os jovens que estudam comigo sejam atingidos pela seta deste Cupido. Mas nada posso fazer, na escola o Cupido é atado ao quadro negro da sala de aula, e a sua seta colocado no lixo. Entopem as crianças com leituras obrigatórias, que tem de ser, que tem de ler, esquecendo que primeiro temos de os ensinar a amar, temos de lhes provar que tem de haver uma relação amorosa entre nós e o livro, que devemos amar tocar no livro, folhear as páginas, beber cada palavra como fosse um sumo de laranja bem fresco no dia quente de verão. Saborear o livro, deliciar-se com a história, ter vontade de contar ao mundo aquilo que viveu quando o leu… isto pode-se ensinar.
Fico triste e com um pouco de raiva quando me apercebo que os jovens chegam até mim dizendo que português é uma seca… quando fazem “burro” se os obrigo a treinar a escrita, a serem perfeitos, a pensarem, a descreverem, a explicarem as coisas. Que adultos serão se não se souberem explicar, se não souberam interpretar? Ah, se ao menos eu pudesse… mudaria algumas coisas.
Leiam… abram portas, janelas e estiquem-se na espreguiçadeira na varanda da leitura, apreciem o momento, vivam…

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


E que caia esta lágrima que trago
Que caia pesada e dorida
Ferida pela mágoa

Que deslize no meu rosto marcado
Pela dor, pela desilusão
Ou talvez pela ilusão

Que vida é esta que trago?
Ando enganada contigo, vida.
Afinal era isto que tinhas para mim?
Com uma mão estendes-me o estio ardente
Com a outra o inverno gelado

Que caminhos são estes?
Para onde me levas?
Sou impotente.
Nada há fazer?

Escurecem os céus
Rebentam em trovões desvairados
E cai a chuva
Mistura-se com a minha lágrima

Te imploro que me mostres esse arco iris
Que me mostres esse raio de sol

Basta!
Chega!

Extenuada do caminho
Enfraquecida pelos ventos e pelas lamas
Vou na corrente…

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Desalento




Que desalento este que eu sinto
Pois sei e sinto que minto
Não me conheço, estou a desistir
Dos meus sonhos seguir

Sou qual borboleta sem cor
Sem graça, sem esplendor
Vagueando perdida
Tentando sarar a ferida

Sou farol encalhado
Numa praia ancorado
Rodeado de areia e ar
Sem a brisa e sem o mar

Sou criança sem brilho no olhar
Sem ter com quem brincar
Sou televisão sem imagem
Uma ponte sem passagem


E acabam-se as forças em mim
E com desagrado vejo-me assim
Um ser inútil e definhado
Pela sociedade atrofiado

Ana Pinto

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Pandora


Vivia a minha vida numa linha de comboio
Reta, direita e linear
Tudo era previsível e expectável
Tudo era aborrecido e detestável

A monotonia tomava conta dos dias
que eram certos como o som dos carris
e a sensaboria do meu ser
fez-me não querer ver

Que precisava de abrir as portas
Sair para respirar
Sair para voltar a ser eu
E a conquistar o que era meu

E tu entraste com um desafio no olhar
Não pronunciaste palavra
Levavas a caixa na mão
Fizeste-me perder a razão

Levantei a tampa só um pouco
e num sopro algo mudou
Trouxeste o caos, o vento e a tempestade
E eu dancei à chuva, deixei-me ir com o vento e fui com vontade

Do caos veio a harmonia
Do vento a metamorfose
Depois da tempestade a bonança
E foi então que a vi… lá estava a esperança!

Ana Pinto

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Naufraguei nos teus braços

Naufraguei nos teus braços
e perdi-me para sempre...

Não tenho rumo..
Estou sem norte e sem sorte,
desnorteada.
Já nem sem o que sinto.  Será que minto?

Mas quem sou eu agora?
Mapa sem escala, sem legenda.
Bússola sem agulha nem destino.
Sinto-me desorientada, sem tino.

Que faço?Boiam partes de mim em ti!
E tenho-te aqui, em mim.

Quero apanhar a boia de salvação
mas não lhe chego.
Foge na tua mão...
Leva-la para fora do meu alcance.

Afogo-me nas minhas lágrimas
que secas correm cá dentro.
Minha estrela polar... Sou tua!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Novelos enrolados


Novelos enrolados, baralhados pelas patas negras do gato brincalhão. Espalhados por todo o lado. Lá estão eles, emaranhados. Sento-me no chão de pernas cruzadas. Fito-os primeiro com raiva, depois com curiosidade, depois com desespero, depois com raiva novamente. Raiva por não encontrar a ponta. Bastava-me encontrar a ponta para começar tudo de novo. Quero enrolar estes novelos de novo. Quero pô-los direitinhos, bonitinhos, alinhadinhos.

Ali estou eu a observar os novelos. Procura com o olhar a solução. Mas é desesperante. Não sou capaz. Tenho um nó. Um nó no chão que toma forma e entra na minha cabeça e não sai de lá. E sou derrotada pelo cansaço. Deixo-me levar e fico enrolada neste nó, presa nestes novelos.

Fico prostrada naquele chão. Numa última tentativa tento tocar neles. Procuro com desespero o fio. Mas quanto mais as minhas mãos se mexem, mais os novelos se enrolam.

Sou vencida pelos nós que vão aparecendo.