quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

PPV 2015

Volve-se o tempo
Com o cuidado com que se volve as claras
Cautelosamente, meigamente
Para que não se partam,
Para que não dê por ele a passar
Mas sabemos que ele se move
Que se move dissimulado em pressas e correrias,
Em preocupações e alegrias

Mais um ano que entra
Haverá mudanças, diferenças
Tudo será mais do mesmo?
Que tédio há em mim se algo não mudar
Sobrevivo a uma vida
Observadora passiva?
Quero a mudança
Quero que mudem os tempos e as vontades
Quero deixar para trás as ansiedades

Começamos bem devagar
Sem ninguém notar
Mudamos nós o que conseguimos
E na adversidade calmamente sorrimos
Persistência e certezas
Limpam algumas impurezas
Sente-se em nós algo a mudar
E há a certeza de triunfar

Olhamos em redor
E algo está melhor
Nós mudámos um pouco
E atingimos o outro
A alegria dos que amamos
Os abraços que damos
Dão-nos tempo
Dão-nos o tempo
O tempo de sorrir
O tempo de sermos felizes
O tempo de sonhar
O tempo de amar
O tempo de viver

Neste ano que entra agora
E no passar da hora
Tenho em mim o desejo
De me deixar envolver
Naquilo que quero ser
Centrada no que acredito
Arregaçarei as mangas
E darei o que de melhor há em mim

Sentirei o tempo volver
Mas o que vou saber
É que depende de mim, só de mim

A maneira como irei viver…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Essência

No início eram os risos, os sorrisos, as trocas de olhares. Sonhava-se de olhos abertos e esperava-se dolorosamente pelo reencontro. Os dias eram longos de mais. Os minutos ao telefone pequenos de mais. As palavras escritas nas cartas semanais tinham um significado cerrado, sentido, lidas uma e outra vez para se absorver todo o sentido. O coração disparava louco ao toque, ao sussurro. Os pensamentos andavam num círculo analisando todas as palavras, todos os gestos. E suspirava-se, ah como se suspirava…
Agora tem tudo um novo significado. Agora há risos sonoros que chegam a “perturbar” o dia, há mãos ansiosas que nos puxam, que nos arrastam para onde não queremos ir, há vontades maiores que as nossas, há necessidades maiores que as nossas, há sonos que tiram o nosso…
Mas todos os dias esperamos dolorosamente pelo reencontro, todo dia a nossa mente anda grande parte do tempo centrada nelas. O coração dispara ao primeiro toque, ao primeiro sorriso, à primeira palavra e em todas as novidades da vida. Os minutos ao telefone são excessivamente dolorosos e a ânsia pelo abraço, pelo toque no rosto, na mão é desmesurada.
Sentados, enroscados os nossos corpos, deliciamo-nos com tamanha ternura. Nasce em nós um sentimento que vem de dentro e que se vê somente com os olhos da alma, uma serenidade tamanha, uma paz, uma tranquilidade. Não sei se é felicidade o nome dado a isto, ou se é amor… não sei designar, nem tão pouco explicar.

Esta é a essência. O que há de mais puro, mais genuíno, verdadeiro. É o que distingue os momentos bons dos outros. É este deixar entrar, é este dar desmedidamente, é ser altruísta nas acções, no coração… é dar, dar sem esperar nada. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os dias têm sido para mim pequenos gumes afiados que vão rasgando a minha pele deixando ensanguentadas as minhas mãos. São lágrimas salgadas que percorrem meu rosto procurando refúgio.
São as dores de quem vive já com algumas certezas. As dores de quem sabe que nunca haverá esperança. Fogem os sonhos das minhas mãos como uma folha de outono que é arrancada da sua árvore num dia de vento… solta-se e rebola sem destino pelo alcatrão, sofre com a chuva, e aos poucos vai secando e morrendo.
Não é que a minha vida seja inundada de infelicidade. Não é. Muito pelo contrário. São as peças que estão incompletas. O puzzle nunca ficará terminado. E eu olho para o painel e é tão lindo! Mas não está terminado. Ai de mim que me dói saber que nunca o terminarei.
Mudar! Impõe-se a mudança. Mas que mudanças acarretam as mudanças? Mas como combato os medos e as incertezas? Quero respostas, quero encontrar a solução. Mas como? Onde?
É esta roda viva. É este acordar e correr de um lado para o outro que nem barata tonta. É o querer chegar a todo lado.

Cansaço. Há em mim cansaço. Preciso que me dê um tempo. Preciso de me encontrar. Quero respostas.