sábado, 30 de março de 2013


Há caminhos enlameados, esburacados, armadilhados que fazem da nossa jornada algo que chega a ser quase insuportável. O segredo está nas botas que calças, nas meias que vestes e nas roupas escolhidas.
A roupa pode estar coberta de lama, os teus cabelos podem ser atravessados pelo rio que parece não ter fim, os teus olhos piscam na tentativa de ver o caminho, mas não desistes porque as botas mantêm os pés confortáveis e até quentes, as roupas protegem-te do vento e sentes que há algo maior que te guia.
Há uma altura no caminho em que a tua alma parece esmurrada e o corpo parece perder forças. Surge então um sorriso, surge uma mão também molhada que te segura e tu lembras-te de que não estás sozinho, que outros te acompanham. Eles são as tuas botas secas, a roupa que te protege, os olhos que te guiam.
Foi naquele momento, olhando ao meu redor que eu vi. Pessoas que fazem caminho comigo, partilham as dores da jornada, procuram a esperança na fé, e ganham forças.
As minhas botas secaram, a lama saiu da roupa, os meus olhos veem o caminho. O caminho da esperança, a força do servir, a certeza de um dia solarengo que me espera sorrindo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Caminho


É hora de me fazer a caminho. Mochilas às costas, garagem aberta e bicicleta de pneus cheios. Levo no coração um medo escondido, como uma comichão chata que só queremos que desapareça, mas que pede que a coce mais. Não me recordo da última vez que me fiz a caminho de bicicleta. O que será que vou encontrar? Será que correrá bem? Ainda saberei ser escuteira em campo? E fora dele? Já há tanta coisa que não recordo…
A cada pedalada aumenta a dificuldade, o peso das mochilas multiplica-se, o coração bate com mais força. Será do esforço?
Sei que ninguém me conhece e que tudo será novo, sei que já há um trabalho conjunto que dura há vários meses. Será que encaixo?
Levo na minha mochila a vontade, o sempre alerta para servir, o amor ao próximo. Levo experiências para partilhar, levo a bicicleta à mão. O caminho não é fácil, a mochila toma conta do meu corpo. Empurro os dois. Não vou desistir. Sou persistente e levo as minhas convicções para a frente.
Faltam só mais uns metros. Subo para a bicicleta novamente. Ela leva-me. Eu só guio. Leva-me este meu amor ao escutismo. Eu só guio os meus passos, escolho um dos caminhos e vou com a mochila cheia de fé, convicta dos meus sonhos.
Chego finalmente. São muitos os olhos que pousam em mim, seja pela curiosidade de saber quem sou, seja pela surpresa de vir de bicicleta. Fiquei sem folego, o coração batia em alto ritmo, mas a alegria de partir para o desconhecido é inebriante.
Afinal fazer caminho é mesmo assim, uma viagem de bicicleta com uma mochila carregada de sonhos que nos empurram, as viagens são difíceis, cheias de provações, mas somos fortes porque acreditamos e somos movidos por algo maior.
Senti que estava com todos desde o primeiro dia, senti-me em casa, senti o carinho, senti a partilha.
Obrigada por encherem a minha mochila de alegria, de momentos únicos e por me mostrarem que isto de andar nos escuteiros é como andar de bicicleta: Nunca se esquece….
Boa caça
Gato Preto

segunda-feira, 18 de março de 2013

Para ti Raquel...


- Bom dia. Então como tens passado?
- Nem queiras saber, ando aqui com uma dor…
E assim se dá início a uma enumeração dolorosa de acontecimentos tristes e desagradáveis que nunca mais terminam. É claro que o desenvolvimento da conversa é óbvio: cada um vê do que se queixa mais, qual é mais miserável, qual está pior na vida. Às vezes até parece que estamos num concurso a ver quem é que tem a vida mais cheia de problemas. E no fim da conversa surge o típico:
- Temos de ter paciência, é assim a vida.
Ai é?
Pois hoje decidi que não me vou queixar. Aliás queixar de quê? Não tenho o que me queixar. Hoje tenho a agradecer. Tu hoje já agradeceste?
Há que agradecer a beleza da primeira flor que nasce nesta primavera, há que agradecer o sorriso daquele desconhecido que passa por nos na rua, a saúde que ainda temos, os amigos que invadem a nossa casa para connosco partilharem sorrisos e parvoíces, os amores, as aventuras, as coisas que vamos conseguindo alcançar… Obrigada, OBRIGADA, OBRIGADA!!!!!
E se houver um pontinho negro que nos incomoda e nos irrita, vamos dissecá-lo até encontrar um ponto arco iris que nos vai mostrar que há uma razão em tudo….
Hoje, se vos perguntarem como estão respondam apenas:
- Comigo? Está tudo ótimo.
E agora vejam a reação da outra pessoa, os olhos perscrutando o teu ser. Espeta um sorriso no rosto e espalha a magia a tranquilidade e da despreocupação…
Agora faz-te ao caminho e muda vidas e atitudes….