As pernas começam a perder força,
o corpo parece nem ser nosso. A mente baralha-se, não há resposta. As mãos
tremem, o peito dói muito de apertado. Não se consegue estar, não se consegue
ouvir, não se consegue ser. Passa-se a ser um vegetal, colado a um sofá, e o
espaço fica confinado àquilo mesmo. E surge a dúvida. Será que vamos sair
daqui? Quando? Para quando o voltar das forças? Queremos estar, mas não,
deixem-nos ficar aqui nesta solitária cheia de incertezas. Não queremos ver
ninguém. Dois passos para fora do sofá e parece que o mundo nos abana. Não somos
nós.
Na mente está tudo turvo. Procuram-se
as explicações. A vontade de perceber o porquê é inerente ao ser humano. Mas,
neste caso, as respostas estão guardadas num cofre blindado e invisível.
Poderia encontrar algumas razões.
Mas para quê? Identificados os motivos, concluo que nada posso fazer em relação
a isso. E meu rosto entristece mais. Não entra comida. Perco ainda mais as forças.
Mas algures, entre as horas
solitárias, sorrio. Há quem faça magia aqui em casa. Há quem me consiga
arrancar sorrisos, há quem me faça ganhar forças porque precisa de mim. Há quem
confie mais em mim do que eu mesma. Há quem me envie palavras de conforto, que
se preocupe e que me mostra que está ao um lado nos bons e nos maus momentos. Há
amigos, daqueles poucos a quem faz sentido que os chamemos assim.
As razões são colocadas numa
caixa e fecho-a a sete chaves. Não quero saber delas. Quero o que me dá força. Quero
os sorrisos, os gestos, os que acreditam em mim, os que me fazem avançar.
São estes momentos que fazem surgir
as mais belas flores dos nossos jardins.
Que se arranquem as ervas
daninhas!