quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

PPV 2015

Volve-se o tempo
Com o cuidado com que se volve as claras
Cautelosamente, meigamente
Para que não se partam,
Para que não dê por ele a passar
Mas sabemos que ele se move
Que se move dissimulado em pressas e correrias,
Em preocupações e alegrias

Mais um ano que entra
Haverá mudanças, diferenças
Tudo será mais do mesmo?
Que tédio há em mim se algo não mudar
Sobrevivo a uma vida
Observadora passiva?
Quero a mudança
Quero que mudem os tempos e as vontades
Quero deixar para trás as ansiedades

Começamos bem devagar
Sem ninguém notar
Mudamos nós o que conseguimos
E na adversidade calmamente sorrimos
Persistência e certezas
Limpam algumas impurezas
Sente-se em nós algo a mudar
E há a certeza de triunfar

Olhamos em redor
E algo está melhor
Nós mudámos um pouco
E atingimos o outro
A alegria dos que amamos
Os abraços que damos
Dão-nos tempo
Dão-nos o tempo
O tempo de sorrir
O tempo de sermos felizes
O tempo de sonhar
O tempo de amar
O tempo de viver

Neste ano que entra agora
E no passar da hora
Tenho em mim o desejo
De me deixar envolver
Naquilo que quero ser
Centrada no que acredito
Arregaçarei as mangas
E darei o que de melhor há em mim

Sentirei o tempo volver
Mas o que vou saber
É que depende de mim, só de mim

A maneira como irei viver…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Essência

No início eram os risos, os sorrisos, as trocas de olhares. Sonhava-se de olhos abertos e esperava-se dolorosamente pelo reencontro. Os dias eram longos de mais. Os minutos ao telefone pequenos de mais. As palavras escritas nas cartas semanais tinham um significado cerrado, sentido, lidas uma e outra vez para se absorver todo o sentido. O coração disparava louco ao toque, ao sussurro. Os pensamentos andavam num círculo analisando todas as palavras, todos os gestos. E suspirava-se, ah como se suspirava…
Agora tem tudo um novo significado. Agora há risos sonoros que chegam a “perturbar” o dia, há mãos ansiosas que nos puxam, que nos arrastam para onde não queremos ir, há vontades maiores que as nossas, há necessidades maiores que as nossas, há sonos que tiram o nosso…
Mas todos os dias esperamos dolorosamente pelo reencontro, todo dia a nossa mente anda grande parte do tempo centrada nelas. O coração dispara ao primeiro toque, ao primeiro sorriso, à primeira palavra e em todas as novidades da vida. Os minutos ao telefone são excessivamente dolorosos e a ânsia pelo abraço, pelo toque no rosto, na mão é desmesurada.
Sentados, enroscados os nossos corpos, deliciamo-nos com tamanha ternura. Nasce em nós um sentimento que vem de dentro e que se vê somente com os olhos da alma, uma serenidade tamanha, uma paz, uma tranquilidade. Não sei se é felicidade o nome dado a isto, ou se é amor… não sei designar, nem tão pouco explicar.

Esta é a essência. O que há de mais puro, mais genuíno, verdadeiro. É o que distingue os momentos bons dos outros. É este deixar entrar, é este dar desmedidamente, é ser altruísta nas acções, no coração… é dar, dar sem esperar nada. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os dias têm sido para mim pequenos gumes afiados que vão rasgando a minha pele deixando ensanguentadas as minhas mãos. São lágrimas salgadas que percorrem meu rosto procurando refúgio.
São as dores de quem vive já com algumas certezas. As dores de quem sabe que nunca haverá esperança. Fogem os sonhos das minhas mãos como uma folha de outono que é arrancada da sua árvore num dia de vento… solta-se e rebola sem destino pelo alcatrão, sofre com a chuva, e aos poucos vai secando e morrendo.
Não é que a minha vida seja inundada de infelicidade. Não é. Muito pelo contrário. São as peças que estão incompletas. O puzzle nunca ficará terminado. E eu olho para o painel e é tão lindo! Mas não está terminado. Ai de mim que me dói saber que nunca o terminarei.
Mudar! Impõe-se a mudança. Mas que mudanças acarretam as mudanças? Mas como combato os medos e as incertezas? Quero respostas, quero encontrar a solução. Mas como? Onde?
É esta roda viva. É este acordar e correr de um lado para o outro que nem barata tonta. É o querer chegar a todo lado.

Cansaço. Há em mim cansaço. Preciso que me dê um tempo. Preciso de me encontrar. Quero respostas. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Hoje queria escrever-te. Falar-te dos dias amenos, do sol acolhedor, do canto dos pássaros, da felicidade do bater de asas da borboleta, do sabor do vento no rosto. Queria abrir-te uma janela para aquelas pequenas e insignificantes coisas que nos fazem felizes. Queria fazer-te sentir este bem estar, dar-te um pouco do mundo, daquilo que dizes ter saudades com todas as letras.
Mas ontem choveu e hoje também. O sol abafa-nos e não nos deixa respirar, o corpo fica pegajoso e incomoda andar na rua. Hoje queria estar aí ao teu lado. Sei que estou a ser inconveniente ao dizer isto mas queria estar afastada, longe. Sim, eu sei… sei o que estás a dizer. Aliás consigo até ouvir a tua voz e sentir o teu olhar no meu a repreender este meu pensar.
Sabes, se te escrevesse não conseguiria dar-te o sorriso que te prometi. Teria de te falar daquelas coisas que tornam os dias chuvosos, que nos incomodam ao ponto de nos sentirmos sujos e sufocados. Sabes, a palavra liberdade é tão relativa, tão ambígua…. Não sei quem está mais privado de liberdade se tu, se eu…
Dou voltas e voltas para me tentar soltar mas a corda vai apertando cada vez mais. Os sonhos vão ficando para trás, as coisas que gosto de fazer ficam algures perdidas nas horas, eu própria vou perdendo a minha individualidade, o meu eu vai-se apagando, desvanecendo, derretendo sob este sol abafado, levado pela chuva forte.
Hoje queria ter feito como ele, queria ter deixado o saco pendurado na árvore antes de entrar em casa. Mas não consigo… e até essa minha liberdade se vai, essa que me permite estar bem com os que amo….essa que nos dá um teto em dias de chuva, que nos protege do sol, que nos convida a relaxar e a aproveitar os momentos efémeros…


Amanhã…. Amanhã eu escrevo-te.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Joana, real ou imaginária?

Joana. O nome dela é Joana. Frequenta a escolinha no grupo dos três anos. Já fugiu de leões, já ficou de castigo uma e outra vez. Já veio cá a casa. É a avó que a vai buscar, mas hoje não foi porque ela se portou mal.
A Joana vive na cabeça de uma ratinha de 3 anos. Não existe. Crueldade a minha. Ela existe, naquele mundo em que a Pipa vive. Naquela escolinha em que a Joana anda, nas coisas que faz. Ela existe. Quem sou eu para afirmar o contrário. Ouço divertidamente as histórias da Joana e o rosto da Pipa altera-se quando fala dela, será por saber que eu não a vejo?
A Pipa tem uma amiga imaginária, com uma vida imaginária, mas para ela tudo é real.
Eu. Eu tenho uma vida real. Ou será imaginária? Ultimamente não sei bem. Será que sonhei, será que aconteceu? Fico baralhada, confusa e um pouco perdida. Penso nas coisas, sonho com elas mas será que existiram?
Por vezes saio de mim (não sei explicar isto muito bem) e sinto que tudo isto não está a ser vivido. Que estou perante um ecrã qualquer amordaçada e acorrentada sem poder fazer nada, apenas assistindo ao que me vai acontecendo… qual será o sonho? O que se passa à noite de olhos cerrados, ou o que se passa com os olhos abertos?
Na minha cabeça vivem muitas personagens. As do dia-a-dia, as das histórias de encantar, as das séries, dos filmes, dos livros que leio. As mais assustadoras são as modeladas. Das planas nada a dizer, nada se acrescenta, nada se retira. Mas as outras? A sua densidade psicológica forma um nó na minha mente. Um nó desleixado, que nada ata mas que atrapalha. Aquele que queremos arrancar com os dentes, sem usar a faca… nunca se corta um nó. Desfaz-se. Aprende-se.

E é aqui que encontro a maravilha da vida. Este encontro entre o real e o imaginário. Estas personagens que nos vão moldando que nos vão transformando que nos obrigam a desfazer nós descurados para aprendermos que os nós mais importantes são os direitos. Aqueles que te apertam com força mas que te dão a liberdade de seres tu, livre e real. (ou imaginário)

terça-feira, 22 de julho de 2014

A minha infância?
 Tive duas irmãs. Vivendo quase lado a lado brincávamos na estrada, apanhávamos amoras, corríamos, jogávamos às escondidas. Depois mudei de casa. Nasceu o meu irmão. E passámos a ser 4. 4 em cima da carrinha de caixa aberta a caminho da aventura. 3 a fazer cócegas no mais pequeno. Ele a mijar-se a rir e nós quase lá. Ele a cantar “Oh agostinho que rico vinho”. Eu a fazer birras porque não queria lavar os pés, porque não queria estar ali porque obrigavam-me a comer. “Em casa deste homem, quem não trabalha não come.” Elas a força da terra, o cheiro do sal, eu um pouco flor de estufa.
Os anos passaram. Aprendi a nadar com elas, a dançar nos bailes com elas. Passei as minhas melhores passagens de ano. Os melhores dias de praia, os melhores lanches. Apanhámos caranguejos, berbigões, caímos ao rio do bote. Atravessámos o rio desafiando as nossas forças. E se o fiz foi porque elas estavam lá, prontas a estar ali no momento que eu precisasse.
Há cheiros que me trazem sorrisos, há dias em que o vento me traz de volta a descida íngreme ao lado da igreja em que a bicicleta quase que voava rua abaixo. A sensação do lodo nos pés, das cascas a fazerem cortes, os caranguejos que nos picavam. O chão da salina seco onde jogávamos com uma bola. Os viveiros que invadíamos para ir ao banho. O dia em que tiramos os fatos de banho dentro de água.
Depois o dia em que parámos o carro para dar abrigo ao Simba. O seu ar assustado derreteu-nos os corações e mesmo todo sarnento lá veio o cachorrinho no meu colo pronto a ser socorrido. O dia em que Xena foi lá para casa cega, pequena e assustada. Mesmo cega a gata sabia sempre onde ir, como subir as escadas e procurar o mimo das donas. Poderiam não ser os meus animais mas sempre os amei como tal, porque aquela casa era também a nossa. Ali sempre nos sentimos bem-vindos, amados e acima de tudo felizes.
E em todos estes dias houve uma mulher. Que tornava a terra fértil com as suas mãos fortes, cavando com força, volvendo, trabalhando a terra para dela tirar o sustento. Puxava a água do poço com uma corda para regar o quintal apanhando das árvores os frutos que acalmavam a sua sede. Rodilha à cabeça, pés descalços nas salinas. Pés que dançavam ao som das músicas dos bailes, mãos que seguravam as minhas para me ensinar. Sempre, mas sempre de sorriso nos lábios, sempre com assunto para a conversa, sempre pronta a refilar disto ou daquilo, sempre com a gargalhada pronta a sair e a marotice toda no olhar. Sempre nos ensinou a ser meigas com os animais, a dar valor ao pouco que tínhamos, a tirar partido das coisas, a dar valor ao nosso trabalho, a sermos humildes e generosas mas sempre lutando pelo que temos direito. Assim são agora as duas filhas e as duas netas. Eu sou só a sobrinha.

Escrevo para que o tempo não me apague memórias. Para que torne eterno aquilo que foste. Para que se dê valor ao que temos hoje porque amanhã pode não estar. Para que se ame enquanto se vive. Para me lembrar que o único meio para o sucesso é o trabalho, a humildade e a sabedoria de estarmos em paz com o que somos porque damos o nosso melhor. Escrevo porque te amo e tive a oportunidade de to dizer. 

sábado, 21 de junho de 2014

Há dias em que me questiono sobre a pertinência de andar aqui por este mundo deambulando entre situações que nos vão fazendo pensar que raio de intuito tem estes poucos anos que cá andamos.
Sentada no centro comercial olhando as pessoas que vão passando reparo nas suas expressões. Há felicidade estampada no rosto de alguns, há a pressa de outros, há a angústia em muitos e tenho vontade de saber qual a sua história. Todos nós temos uma história única. Mais ninguém vive aquilo que cada um de nós viveu. Cada situação que nos surge é sempre diferente, embora possa ter traços comuns com algumas outras histórias. Daí a riqueza deste mundo. Milhões de pessoas, cada uma com a sua história, com a sua personalidade.
Sei que há um propósito, uma razão. Cada um tem uma missão neste mundo. A cada um de nós teve várias oportunidades, as dificuldades, os desafios que os fizeram ser quem são, pessoas que marcaram nossas vidas. São as aventuras pelas quais passamos que vão enchendo a nossa alma, que nos vão moldando.
Sabemos que o tempo que aqui passamos é efémero, sabemos. Mas só sentimos a fugacidade da vida quando nos deparamos com alguém que estava mesmo aqui ao nosso lado e que do nada desaparece para sempre. Fica o vazio, a tristeza, a solidão. E faz-nos pensar. O que quero eu fazer com o meu tempo aqui nesta vida? O que importa afinal?
Sei qual é a minha missão. Sempre soube. Sei os dons que tenho. Sei de que é feito o meu vaso, sei o que está lá dentro.
A minha história é a minha. Agora, está nas minhas mãos transformar a minha história naquilo que eu quiser. Nas minhas vivências, nas minhas experiências encontrei-me e sei o que quero deixar aqui nesta vida. Não vou passar por ela despercebida, não vou sobreviver à espera do dia. Deixar a minha marca.

E tu, que vais fazer com a tua história?

terça-feira, 3 de junho de 2014

Mais um dia cinzento lá fora.
Aqui também não há raios de sol.
Ainda tudo numa névoa,
numa confusão estranha,
numa sensação de aprisionamento.
Domina-me a falta de forças.
Uma inércia absurda que me acorrenta.

Não quero falar com ninguém
Não quero ouvir nada
Tudo o que dizem é da boca para fora
Palavras tolas sem sentido
Que me magoam

Não sabem nada sobre mim
Não pensem que sabem
Não pensem que distinguem
Aquilo que me faz feliz
Daquilo que me tira do sério

Pessoas que falam sem sentir
Pessoas que falam sem saber
Pessoas que não se poem no nosso lugar
Pessoas que falam de cor
Pessoas que falam bem
Mas cujas atitudes são o oposto
Pessoas que não são
Mas que usam palavras bonitas para o ser
Pessoas que se auto valorizam

Gosto de pessoas que amam
Que falam o que sentem por mais que doa
Que me sabem e que me amam assim
Que podem não concordar comigo
Mas que respeitam
Que pensam antes de falar
Que sabem pedir desculpa
Que aceitam as minhas desculpas
Que acima de tudo têm atitudes
Em vez de palavras
Pessoas que valem pelas suas ações
Pessoas que me inspiram
Pela simplicidade do ser
Que andam invisíveis a mudar o mundo
A oferecer amor, carinho, pequenos gestos

Que nos deixam um travo de doçura no nosso coração

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Cleófas

No meio da serra ouve-se o sussurrar da água que desliza acompanhando todo o nosso percurso. Amiga, que nunca nos deixa só, que nos guia por entre caminhos tortuosos. As subidas deixam-me sem fôlego, doí-me o peito e só penso que não vou conseguir chegar ao fim. A chuva cai miudamente entrando primeiro no tecido das roupas depois, como um intruso indesejado, na pele do meu corpo.
Duvido, questiono, fraquejo, tal como Cleófas e o seu amigo, também eu me pergunto “Onde anda Ele?”. Desatenta. Cega. Egoisticamente olho apenas para o tortuoso caminho, levo os olhos no chão a mente na dificuldade e esqueço e esqueço-me, e não olho, não vejo e não reparo.
Ali vai Ele. Mostrando-me que devo separar o trigo do joio, que devo colocar à parte as coisas más. Devo com elas aprender, crivar o que é realmente positivo e guardar como um tesouro imenso. Deixar para trás o que me pesa, o que me prende o que me não deixa ser feliz… Mais à frente, lá está Ele. E mostra-me que SER SAL não é mais que mostrar aos outros que nos devemos amar uns aos outros, que devemos ter compaixão, que devemos ser tolerantes. Nós, está nas nossas mãos sermos SUA voz, sermos seus discípulos. Abandona tudo o que te prende, tudo o que te pesa e vai – Diz-me. Não, não é por ter um lenço que sou mais escuteira do que quando não o tenho. Sou escuteira todos os segundos dos meus dias, todos os momentos em que tomo decisões, todas as dificuldades são superadas com uma mente escutista. Sirvo-Te da melhor maneira que consigo. Ponho nas Tuas mãos o meu melhor. Arde no meu coração as tuas palavras e o teu amor incondicional.
Nem todos os dias são fáceis. Vivemos todos s tua cruz aqui e ali, ora por sermos julgados, ora por nos “cuspirem na cara” ora por duvidarem de nós. E caímos, como TU. E, sim, há mãos que nos levantam, há quem nos ame incondicionalmente, há quem nos acompanhe nos bons e nos maus momentos e que nunca desista de nós. É pura verdade: NUNCA CAMINHAMOS SOZINHOS.


terça-feira, 25 de março de 2014

Queria saber desenhar
e os vossos olhos sorririam
e os vossos lábios chamariam por mim
e os vossos braços envolveriam o meu pescoço
no vosso rosto o amor
esse amor que me alimenta
que me sustenta
que me aquece o coração
olharia o quadro o dia inteiro
no meu olhar o amor verdadeiro

queria fazer música
o vosso sorriso num som
o meu nome noutro tom
e todo o dia a ouviria
para me sentir protegida
pois só vocês me dão vida

Queria fazer um filme
registar todos os momentos
os pulos, as alegrias, os tormentos
os pequenos gestos que vocês me fazem
aqueles que vão diretos ao coração
e que voam ao sabor de um balão
e colocaria a rodar uma e outra vez
para rir com vontade
vocês são a minha felicidade

Pudesse eu escrever
tudo o que em mim cresce
tudo o que me ensinam
e num diário tudo registaria
não faria mais nada todo o dia...

Poesia

Não sei como te definir
Tento rabiscar folhas em branco
Tento encontrar palavras no dicionário
Mas o resultado é sempre este:
Não sei como te definir

Fazes-me voar para outros mundos
Suspirar e acordar de sonos profundos
Arrancas sorrisos 
Lágrimas e longos pensamentos
Lembras-me o que é sentir
Mostras-me o que está para vir
Renasço a cada dia
Relembro quem eu sou
Aprendo que não estou só

Reinventas o mundo
Falas de amor, ódio, paixões
De tudo e de nada, tantas emoções
E deixo-me ir contigo
Minha casa, meu abrigo

É nas tuas palavras que me revejo
És, poesia, uma amiga, confidente
És quem alimenta a minha mente.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Drave

Afagando o pelo macio do meu novo e fiel amigo, vou repescando memórias do fim de semana passado. Ainda tenho o corpo dorido, mas tenho dificuldades em identificar de que dor me lamento.
Primeiro sentimos o caminho, as pedras, os solavancos. A chuva é miudinha e vai cobrindo os vidros. A humidade vai-nos cegando, vai fechando as cortinas das janelas do carro. Como o dedo desvendamos apenas um pouco da magia. O frio é algum, mas não impede que se abram por completo as janelas. A chuva bate miudamente no nosso rosto que se revela num sorriso deslumbrado. Lá fora a natureza exibe-se para nós, mostrando-nos o poder e a beleza que tem. As nuvens passeiam pelos montes como pedaços de algodão. O cheiro é o de inverno, de chuva, de terra molhada, de plantas agrestes… entre montes, lá está ela. Primitiva, belíssima, única, à nossa espera. Como é que uma pequena aldeia pode conter em si mesmo tanta perfeição, tanta magnificência sendo o rosto da simplicidade? Casas miúdas encerram em si mesmo histórias de outros tempos. A pastora que passa, o Max e as cabras levam-nos a recuar a outros tempos e a invejar um dia a dia nos montes, ouvindo Deus, ouvindo-se a si mesma. Os caminhos são sinuosos mas a viagem é deliciosa. Conhece-la é uma paixão, é como se conhecêssemos o amor da nossa vida. Ficamos deslumbrados e queremos estar ali todos os dias para saber como será cada dia com ela, o que tem para nós e, o melhor, é que com ela somos pessoas melhores.
E quando chega a altura de pensar o que é essencial corre um filme na minha cabeça. A minha família. As pessoas que partilham uma mesa comigo, que almoçam, jantam, e podem até nem cear, mas partilharam a refeição, o sorriso, a história, partilharam-se. Estas que estão ao alcance de um telefonema. Estas que nos conhecem os defeitos mas que amam as nossas qualidades.
Lutar pelo que me faz feliz. Ficou lá esta frase, numa moldura singular e peculiar. Parece tão simples. Mas está na mão de cada um dos que fizeram caminho comigo, e que fazem todos os dias, lembrarem-me: Ei, faz o que te faz feliz!
Na aldeia dos sonhos, dentro da casa do fogo, expuseram-se as casas. Umas mais tortas, umas mais direitas, umas mais coloridas que outras, mas todas com sonhos, com projetos, com ideais. E é aqui que me dói. A base está lá, meia torta mas solidificada. Estão lá os projetos e os sonhos, são tantos. Mas vão transitando de ano para ano na minha mente, amadurecendo mas não são semeados, não vincam. Há um mundo lá fora que me castra e castiga e me mantém fora dos meus sonhos e que me amarra à triste realidade. E não tenho força, nem coragem.

Sim, Drave deixou uma marca. Ou duas. Uma física, mas a outra é maior ainda. É o rever do PPV, é o ter de fazer alguma coisa, é o ter de decidir, de meter mãos à obra. Deus ofereceu-me Drave, agora que esperas Tu de mim?

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Chuva

Ainda no conforto da cama
Nos lençóis que me mimam
Que me protegem
Ouço que hoje chove

São os carros que deslizam na chuva
São os pingos que caem no meu quintal
É a falta de vozes na rua
É a falta do cão que ladra

Solta-se o desejo o desejo de ficar
De acariciar a minha cama
De não largar o conforto
Mas chega o “tem de ser”
Puxa-nos pelas pernas
Coloca-nos debaixo do chuveiro
Veste-nos, alimenta-nos
Dá-nos um chuto e
Empurra-nos para a rua.

NÃO!!
Fogo, está a chover.
Não me quero molhar
Andar à chuva incomoda
Andar à chuva é irritante
Fica tudo embaciado
Fica tudo menos claro…
NÃO QUERO!

Sei na tua voz que chove
Sei no teu olhar que querias um lençol quentinho
Sei que a chuva te incomoda
Sei que procuras abrigo.

Meigamente dou-te um lençol
E empresto-te um guarda chuva.
Não posso parar a chuva.
Não posso.

Mas posso ser o “tem de ser”
 puxo-te pelas pernas
E dou-te um chuto
Vai lá apanhar a chuva
Mas transforma-a.

Chuva, és uma dádiva de Deus
És tu que alimentas o rio
És tu que arrebitas as flores
És tu que limpas o pó das folhas.
Tu és necessária.


Amiga,
Se chove dança nas poças
Ri com os pingos,
Solta a gargalhada.
Pensa que é bom que chova
Pensa no ado bom da chuva
Pensa em como é bom quando o raio de sol
Se junta ao dia de chuva…
Que belo arco iris!!!!

Há sempre um raio de sol
Nas nossas chuvosas vidas
Usa a ponta do lençol para abrir caminho por entre as janelas embaciadas.
Encontra o teu raio de sol.
O mundo espera por ti!



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Agora com licença. Vou fechar a porta.

Dois mil e treze…
Depois de dois mil e nove, ou melhor, juntamente a dois mil e nove, dois mil e treze… junto os dois num saco. É o saco dos piores anos, das desilusões, das dores profundas. Senti o meu limite nestes dois anos. Desci ao fundo do meu poço e fiquei por lá.
O ano que passou foi angustiante, tirou-me as forças, perdi o controlo do meu corpo e da minha mente, houve dias em que não me conheci, houve dias que não fui capaz de me encontrar.
Tive dias muito bons. Tive sim. Mas não duraram muito. O esquecimento, o dia a dia, o corre corre são das coisas piores. São os meus inimigos número um.
O meu dia a dia é desgastante. Os meus fins de dia são cansativos. Os meus fins de semana preenchidos.
No ano que passou, pouco tempo estive com os meus mais que tudo. E às vezes dou comigo a pensar onde estive então? E sei onde estive. Papa Francisco, estive lá, mas não estive com quem deveria ter estado.

Com base nisto decido: vou fechar portas. Tenho de fechar portas. Não posso deixar entrar angústias, coisas que me tornam miserável e que me levam para longe de mim. Não posso deixar de ser eu.
A minha felicidade está aqui. Mesmo aqui. Não devo procurá-la tipo geochaching há espera de ter uma pista que me pode levar à caixa ou a lado nenhum. Aqui. Está aqui, sem pistas, nem caixas, o meu alcance. Só tenho de estar disponível, de ter o coração aberto e a porta fechada.
Agora com licença. Vou fechar a porta. Vou até aqui ser feliz.

;)