domingo, 22 de novembro de 2020

Na minha secretária os livros espalham-se, abrem-se em contos, em poemas, em histórias, em palavras, em imagens. Lá fora o sol brilha, radiante, aquece a sala, aquece o nosso corpo gelado pela falta dos que nos fazem falta. Ao longe o gato mia para ir à rua, os cães ladram à pessoa que passa. Ouvem-se os pássaros, os nossos condóminos da oliveira do pátio.

O meu olhar está fixo, como está sempre que tento encaixar peças. Umas imagens daqui, umas palavras dali, uma compreensão do oral, um listening, um writing, uma apresentação, um powtoon, um nearpod… o que se encaixa melhor? O que vai fazer com que entendam melhor? Que caminho devo trilhar para que a mensagem chegue? O que se torna mais divertido?

Passa uma hora, duas… continuo a tentar fazer com que a escape room funcione, raios.. ainda não foi desta.

A gata procura um lugar quentinho para se enroscar, os cães já estão abrigados. Não se ouvem mais os pássaros. O céu escurece, o sol já descansa enquanto a lua me acarinha com a sua luz e brilho… faz-me sorrir.

Será que vale a pena? Ai Fernando, tu sabes! Eu nessas tuas palavras. Nessa tua inquietação encontro-me tantas vezes.

“Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.”