quinta-feira, 31 de maio de 2012

Deixa

Não.... não digas mais nada hoje. Todas as palavras são nada.
Deixa-nos assim, unidos, fundidos num só. Deixa que os nossos olhares se cruzem  e se enamorem. Deixa, deixa-os falar. Eles falam mais que os sons produzidos pelas nossas bocas. Deixa que as mãos se toquem timidamente, que se descubram, que se encubram.... Deixa... Não digas nada... Deixa que os nossos lábios dancem uma valsa lenta e sensual, que descubram o sabor de nós.
Deixa-me pousar em teu ombro sem esperar nada, sem dizer nada. Deixa que o teu braço me envolva. Deixa-me sentir. Sentir que estou viva, sentir que sou desejada, sentir que sou amada, sentir que sou querida, sentir-me. Deixa que eu sinta.
Sinto felicidade...
Não digas nada!

terça-feira, 29 de maio de 2012

1 de Junho

A criança desce a rua saltitando.
Despreocupada, desce cantarolando.
No olhar traz a doçura,
e nos lábios a travessura.

Traz um brinquedo na mão,
histórias de encantar no coração:
princesas, castelos, dragões
bruxas, guerreiros... tantas emoções!

Vive o mundo da fantasia.
O mundo que lhe traz alegria,
o mundo em que bastam os abraços,
onde os sorrisos criam laços.

Hoje deu-me uma flor
murcha e quase sem cor.
Agarrou-se à minha cintura
e envolveu-me em ternura.

Enlançou-me em si.
Faço parte de ti.
Criança, estás aqui!

domingo, 27 de maio de 2012

Dream


Estava deitada na minha cama, enroscada no meu lençol, respirando serenamente sobre a dócil almofada com o ar pacífico de quem descansa após um dia agitado.

Os meus olhos abriram-se. Sentei-me na cama e senti que me agarravam pelo dedo indicador. Não conseguia ver quem era, parecia um ponto de luz azulado e no ar havia um perfume adocicado que me fazia sentir tão tranquila. Não sei como, deparei-me com uma porta grossa de madeira envelhecida pelo tempo, trancada por um ferro bem grosso que parecia pesar toneladas. Mas aquela luzinha pequenina moveu a tranca da porta e disse-me numa voz inesperadamente firme e melodiosa:

- Agora já não podes voltar atrás, vais entrar no mundo dos teus sonhos.

A luz sumiu-se no ar e por momentos não consegui ver nada. Esfreguei os olhos com a mesma moleza com que uma criança esfrega os seus com o sono. Quando as minhas mãos abandonaram o meu rosto, caíram pesadamente e surgiu a surpresa. À minha frente havia um tapete de rosas vermelhas, arbustos verdes vivos, pássaros de todas as cores dando vida e música aquele lugar, as borboletas como que brincavam ao meu redor, e as flores pareciam abrir-se há medida que os meus pés se dirigiam até a um lago resplandecente que me convidada a sentar à sua beira.

Sentei-me na areia mais fina e mais macia que tinha tocado, enterrei os meus pés descalços e apoiei o rosto nas minhas mãos. Não conseguia pensar em nada. Fechei os olhos e ouvia o pássaro harmonioso, o som do peixe a nadar na água, o vento que suavemente batia nas folhas, o som das asas das borboletas… já não sentia o peso do meu rosto… estava tão leve.

Ouvi então algo diferente. Um pst pst que parecia vir de muito longe. Abri os meus olhos. Já não havia corpo, só a essência, não havia medo, não havia desconfortos, desconfianças, sentimentos que nos angustiam e que nos impedem de ver claramente. Havia o chiar do brinquedo, o riso da criança, a simplicidade do sorriso, a força para acreditar, o desejo concretizado.

Senti o meu corpo novamente. Agitava-se na cama, dava risos sonoros, e os meus olhos abriram-se. Ali estava eu. Sentada na cama, de sorriso na cara, um sorriso tolo de quem está feliz, o sorriso tolo de quem entendeu.

O nosso mundo dos sonhos está aqui dentro de nós. Basta saltarmos lá para dentro, de coração aberto e com sentimento puros. De lá sairemos mais ricos e conseguiremos alcançar o desejado. Dar o que temos de bom e deixar que alguém nos guie, vamos?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ainda vos sinto aqui
aninhadas no meu ventre,
longe do mundo,
longe de mim, aqui tão perto.
Respiro convosco,
rio com os movimentos,
acordo com um pontapé mais forte.
Sinto curiosidade,
quero saber como será o vosso rosto,
adivinhar a cor dos vossos olhos.
Sinto cansaço,
um cansaço feliz…
A barriga vai crescendo….
Aqui estão protegidas,
aqui dentro estão em segurança…
Mas não.
Já não é seguro manter-vos cá…
Chegou a hora, cedo demais,
chegou a hora….
Segurar-te nos meus braços valeu por tudo,
Fez esquecer o perigo
Fez abandonar a dor.
Pequenina, lutadora, estás agora aqui,
bem ao meu lado em segurança…
Mas tu…
Ainda não te vi,
Ainda não te segurei.
Como te posso proteger?
O que posso fazer por ti?
Quero dar-te carinho,
Quero sentir-te,
Tocar-te, acariciar o teu rosto….
E estás aí…
Dentro da caixinha, rodeada por fios
Rodeada por sons aflitivos,
Por luzes que nos baralham….
Segurar-te foi mágico
foi um toque suave,
foi estares cá dentro novamente.
Aqui nos meus braços sinto-te minha….
Aqui nos meus braços sou só eu e tu!
Passaram meses….
Aqui estão vocês.
Cúmplices, lindas, maravilhosas.
Estão aqui para me mostrar o mundo
De uma outra forma.
Mostram-me o que é o amor,
O que é sofrer por tanto querer bem,
O que é a felicidade,
A importância do sorriso
O poder do olhar
Mostram-me o caminho…
E eu vou…

domingo, 20 de maio de 2012


De mãos dadas, um olhar meigo, um gesto de carinho… um ombro amigo, as palavras certas e um beijo bem apaixonado…. E assim começa uma história que já tem 14 anos, um casamento e duas filhas….

Guardo na minha memória momentos fantásticos. Aquele dia em que estava um pedido de casamento escrito na areia, e, num peluche segurando umas rosas, um anel de noivado. Aquele dia em que juntos vimos o mais belo pôr do sol na Costa de Lavos. Aquele dia… e aquele outro dia que são tão nossos e que não cabem aqui neste espaço tão pequeno porque nos enchem o coração de alegria, de amor e de verdadeira felicidade…. E há ainda aquele outro dia…

Sim, já lá vão sete anos desde esse dia… um dos dias mais especiais… o dia em que nos “enlaçamos” para sempre… guardo-o num álbum de fotos, de emoções, de imagens, de cheiros, de risos e sorrisos.

E agora estamos aqui. O nosso álbum vai crescendo. Surgem os rebentos do nosso amor, surgem mais duas histórias dentro da nossa, mais emoções, mais sentimentos, mais amizade, mais amor…

Olhando para todo este percurso vejo-nos crescer, amadurecer entre rabugices, chatices e outras ices, entre abraços, beijos e olhares meigos. São bastantes os obstáculos que surgem no caminho, mas a amizade, a força da nossa união fazem-nos avançar sem medo, com medo, mas juntos.


De mãos dadas com elas, contigo, continuamos com o mesmo olhar meigo e com os gestos de carinho entre nós e com elas e para elas. És o meu ombro amigo, dizes-me as palavras certas mesmo quando me magoam e quando não as quero ouvir. E trocamos beijos cada vez mais apaixonados, beijos a quatro, beijos a dois, beijos de carinho, de amor, beijos de ternura….

Sete anos…. Sete anos e temos uma bela família, um belo lar, feito de choros, de discussões, de ideias diferentes, de muito trabalho, de dias menos bons, de noites mal dormidas, de birras, de risos, de flexibilidade, de noites mágicas, de abraços eternos, de sorrisos únicos, de olhares cúmplices, mas acima de tudo um lar alicerçado na transparência, na confiança, no amor e na amizade.

Parabéns a nós meu companheiro de viagem….

Há cerca de dois meses atrás  tomei a decisão. Não foi fácil e ainda não está a ser.  Por isso demorei algum tempo até me colocar em frente ao computador para escrever o que me vai na alma. Deixar o movimento que me formou como mulher, como cidadã, como mãe, como profissional, é como que arrancar um pedaço de mim, como que se um membro me fosse arrancado.

Foi em 1988 que entrei para o CNE…. Gostei da cerimónia das promessas e lá fui… Só havia mais uma rapariga além de mim e lembro-me das reuniões na Fratermo, dos jogos do Kim, dos jogos de pistas, dos jogos noturnos em que chorei de medo, da famosa patrulha Pantera, das amigas do coração, da competição saudável, da emoção da aventura.

Ser escuteiro não é apenas vestir uma farda engraçada e colocar um lenço colorido ao pescoço. Nestes 24 anos aprendi muitas coisas, desde cozinhar, montar uma tenda, construir uma mesa, fazer nós, fazer uma mochila, preparar o material necessário para o acampamento, ter a responsabilidade de ser guia, ter a responsabilidade de preparar actividades, saber estar em grupo, saber ser com os outros.

Ser escuteiro é mesmo um modo de vida. Todo aquele que é escuteiro tem uma responsabilidade grande: “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos”. É das tarefas mais difíceis e mais nobre que podemos ter, deixar o nosso umbigo e servir o próximo, fazer os outros felizes para que nós encontremos também a felicidade.

Ser escuteiro é o querer subir à montanha não por querer lá chegar rápido, mas porque a viagem é uma lição de vida. Para mim ter sido caminheira foi marcante. Está aqui tatuado no meu coração o caminho que percorri. As caminhadas que fiz à chuva, com dores, desconfortável e que me deram uma lição importante sobre a união, sobre a amizade que surge com pessoas que não conhecemos. A subida à montanha foi sempre um lavar de alma, um rejuvenescimento, um começar de novo…. Quando chegava a casa estava suja, mal cheirosa, descabelada, rota, com bolhas nos pés, mas feliz….  E esta felicidade transbordava para os de casa, para os amigos, na escola porque ser escuteiro é ser especial.

Apesar de não fazer parte do movimento, nunca poderei deixar de ser escuteira. Posso não estar nas reuniões, posso não estar nas actividades, mas estou no mundo, vivo em sociedade e estarei sempre alerta para servir….
Estava para aqui a “nostalgiar”
há medida que o cursor tocava em cada um de vós, meus amigos.
Se eu morresse amanhã, ou ainda hoje, teria pena de não ter dito a alguns de vocês o quanto são importantes para mim, por terem marcado a minha vida num certo momento.


Recordo com muita saudade os tempos em que competia contigo, Clarisse, para ser guia de patrulha. Guardo no meu coração os momentos tão especiais que passei contigo, mesmo especiais,lembro-me de tantos. Ainda guardo o tal postal e umas fotos tiradas numa noite marada em minha casa com uma prima com quem nunca mais tive contacto.

 Ana Rute, depois vieste tu… éramos as meninas do Rogério…lol… foi nessa actividade que conheci o Valdez… e tu, Valdez obrigaste-me a falar em frente a um montão de gente nessa actividade… fiquei super envergonhada. Rogério Paulo. Para mim, Paulo. Uma pessoa que se cravou de tal forma no meu coração que até dói de saudade quando
me lembro das actividades que passámos juntos, e, na altura, chamávamos-te pai porque foste nosso pai. Deste-nos carinho e puxaste-nos as orelhas, ensinaste-nos o que é a responsabilidade dos nossos actos e estiveste sempre lá…que tempos lindos… aquilo de andar a ouvir as tendas é que não dá com nada…lol

Cláudia Lourenço... os momentos loucos da adolescência contigo e com a Gi... que doidas... beijo grande amiga...
Tânia, depois andámos às turras…é que nem nos podíamos ver. Quem haveria de dizer que mais tarde íamos viver juntas e criar laços tão fortes. Adorei viver contigo em Coimbra. Obrigada por todos os passeios pela baixa, por todos os cigarros conversados à minha janela do quarto.

E por falar em viver comigo… Daniela, ainda consigo visualizar o tique que tens antes de pores o cigarro na boca…lol ai miga, que saudades do teu sotaque algarvio e das tuas gargalhadas…. E quando nos juntávamos os 3 lá em casa era comédia. Lembras-te, Mauro, que até chamaram a polícia??? LOOLLL vocês os dois foram os meus pilares quando vivi em Faro, que e “amaram” sempre e me acarinharam SEMPRE. Foi das separações, e é, que mais me custaram.

Magda, também viveste comigo (e também fumas lol ainda tens aquela cena com que esfregas as mãos depois de fumar???)… desta vez na Sertã… Foi o ano mais difícil da minha vida, que mais tive de dar de mim, que mais me fez crescer. Ensinaste-me muito e és o meu bichinho da fruta… pronto, eu partilho com o João e com os piratas.
Helena Rodrigues a Carla Ramos as duas mulheres mais lindas da faculdade de Letras em Coimbra, as que apoiaram a caloira estrangeira até ao dia em que concluiu o curso e até hoje ainda o fazem…são fantásticas. Vera... lá nos encontrámos novamente para pormos as conversas em dia... Lucinda, deviamos mesmo ter gozado ainda mais com o Martin....
Sónia Antunes, és uma constante importante na minha vida, daquelas pessoas que estão sempre sempre aqui.... bigada por todas as passagens de ano, por todas as férias, pelo apoio na universidade e mil outras coisas....

CUC, Tó Lebre, Vera Francisco,Valdez, Celso, Tó Jó, Miguel, Sandra, Pituca, Tina e tantos outros…
Maria Borges, outra das separações que me doem tanto… custou muito quando deixaste de trabalhar comigo, és a pessoa mais competente, mais equilibrada e justa que conheço.
E todos os dias entram e saem pessoas na minha vida e que me marcam. Lembro-me de duas enfermeiras, a Bina e a Vera que me deram um apoio maravilhoso na maternidade, numa altura que eu nem tinha noção do que estava a acontecer… todos os agradecimentos não chegam. Já passaram 3 anos e ainda as recordo.

E há pessoas que estão todos os dias … e ainda bem…. Se podia viver sem vocês???? Não, não podia…

 dia 2 de janeiro de 2011