domingo, 20 de maio de 2012


Há cerca de dois meses atrás  tomei a decisão. Não foi fácil e ainda não está a ser.  Por isso demorei algum tempo até me colocar em frente ao computador para escrever o que me vai na alma. Deixar o movimento que me formou como mulher, como cidadã, como mãe, como profissional, é como que arrancar um pedaço de mim, como que se um membro me fosse arrancado.

Foi em 1988 que entrei para o CNE…. Gostei da cerimónia das promessas e lá fui… Só havia mais uma rapariga além de mim e lembro-me das reuniões na Fratermo, dos jogos do Kim, dos jogos de pistas, dos jogos noturnos em que chorei de medo, da famosa patrulha Pantera, das amigas do coração, da competição saudável, da emoção da aventura.

Ser escuteiro não é apenas vestir uma farda engraçada e colocar um lenço colorido ao pescoço. Nestes 24 anos aprendi muitas coisas, desde cozinhar, montar uma tenda, construir uma mesa, fazer nós, fazer uma mochila, preparar o material necessário para o acampamento, ter a responsabilidade de ser guia, ter a responsabilidade de preparar actividades, saber estar em grupo, saber ser com os outros.

Ser escuteiro é mesmo um modo de vida. Todo aquele que é escuteiro tem uma responsabilidade grande: “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos”. É das tarefas mais difíceis e mais nobre que podemos ter, deixar o nosso umbigo e servir o próximo, fazer os outros felizes para que nós encontremos também a felicidade.

Ser escuteiro é o querer subir à montanha não por querer lá chegar rápido, mas porque a viagem é uma lição de vida. Para mim ter sido caminheira foi marcante. Está aqui tatuado no meu coração o caminho que percorri. As caminhadas que fiz à chuva, com dores, desconfortável e que me deram uma lição importante sobre a união, sobre a amizade que surge com pessoas que não conhecemos. A subida à montanha foi sempre um lavar de alma, um rejuvenescimento, um começar de novo…. Quando chegava a casa estava suja, mal cheirosa, descabelada, rota, com bolhas nos pés, mas feliz….  E esta felicidade transbordava para os de casa, para os amigos, na escola porque ser escuteiro é ser especial.

Apesar de não fazer parte do movimento, nunca poderei deixar de ser escuteira. Posso não estar nas reuniões, posso não estar nas actividades, mas estou no mundo, vivo em sociedade e estarei sempre alerta para servir….

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