Há cerca de dois meses atrás tomei a decisão. Não foi fácil e ainda não
está a ser. Por isso demorei algum tempo
até me colocar em frente ao computador para escrever o que me vai na alma.
Deixar o movimento que me formou como mulher, como cidadã, como mãe, como
profissional, é como que arrancar um pedaço de mim, como que se um membro me
fosse arrancado.
Foi em 1988 que entrei para o
CNE…. Gostei da cerimónia das promessas e lá fui… Só havia mais uma rapariga
além de mim e lembro-me das reuniões na Fratermo, dos jogos do Kim, dos jogos
de pistas, dos jogos noturnos em que chorei de medo, da famosa patrulha
Pantera, das amigas do coração, da competição saudável, da emoção da aventura.
Ser escuteiro não é apenas vestir
uma farda engraçada e colocar um lenço colorido ao pescoço. Nestes 24 anos
aprendi muitas coisas, desde cozinhar, montar uma tenda, construir uma mesa,
fazer nós, fazer uma mochila, preparar o material necessário para o
acampamento, ter a responsabilidade de ser guia, ter a responsabilidade de
preparar actividades, saber estar em grupo, saber ser com os outros.
Ser escuteiro é mesmo um modo de
vida. Todo aquele que é escuteiro tem uma responsabilidade grande: “Deixar o
mundo um pouco melhor do que o encontrámos”. É das tarefas mais difíceis e mais
nobre que podemos ter, deixar o nosso umbigo e servir o próximo, fazer os
outros felizes para que nós encontremos também a felicidade.
Ser escuteiro é o querer subir à
montanha não por querer lá chegar rápido, mas porque a viagem é uma lição de
vida. Para mim ter sido caminheira foi marcante. Está aqui tatuado no meu
coração o caminho que percorri. As caminhadas que fiz à chuva, com dores,
desconfortável e que me deram uma lição importante sobre a união, sobre a
amizade que surge com pessoas que não conhecemos. A subida à montanha foi
sempre um lavar de alma, um rejuvenescimento, um começar de novo…. Quando
chegava a casa estava suja, mal cheirosa, descabelada, rota, com bolhas nos
pés, mas feliz…. E esta felicidade
transbordava para os de casa, para os amigos, na escola porque ser escuteiro é
ser especial.
Apesar de não fazer parte do
movimento, nunca poderei deixar de ser escuteira. Posso não estar nas reuniões,
posso não estar nas actividades, mas estou no mundo, vivo em sociedade e
estarei sempre alerta para servir….
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