domingo, 27 de maio de 2012

Dream


Estava deitada na minha cama, enroscada no meu lençol, respirando serenamente sobre a dócil almofada com o ar pacífico de quem descansa após um dia agitado.

Os meus olhos abriram-se. Sentei-me na cama e senti que me agarravam pelo dedo indicador. Não conseguia ver quem era, parecia um ponto de luz azulado e no ar havia um perfume adocicado que me fazia sentir tão tranquila. Não sei como, deparei-me com uma porta grossa de madeira envelhecida pelo tempo, trancada por um ferro bem grosso que parecia pesar toneladas. Mas aquela luzinha pequenina moveu a tranca da porta e disse-me numa voz inesperadamente firme e melodiosa:

- Agora já não podes voltar atrás, vais entrar no mundo dos teus sonhos.

A luz sumiu-se no ar e por momentos não consegui ver nada. Esfreguei os olhos com a mesma moleza com que uma criança esfrega os seus com o sono. Quando as minhas mãos abandonaram o meu rosto, caíram pesadamente e surgiu a surpresa. À minha frente havia um tapete de rosas vermelhas, arbustos verdes vivos, pássaros de todas as cores dando vida e música aquele lugar, as borboletas como que brincavam ao meu redor, e as flores pareciam abrir-se há medida que os meus pés se dirigiam até a um lago resplandecente que me convidada a sentar à sua beira.

Sentei-me na areia mais fina e mais macia que tinha tocado, enterrei os meus pés descalços e apoiei o rosto nas minhas mãos. Não conseguia pensar em nada. Fechei os olhos e ouvia o pássaro harmonioso, o som do peixe a nadar na água, o vento que suavemente batia nas folhas, o som das asas das borboletas… já não sentia o peso do meu rosto… estava tão leve.

Ouvi então algo diferente. Um pst pst que parecia vir de muito longe. Abri os meus olhos. Já não havia corpo, só a essência, não havia medo, não havia desconfortos, desconfianças, sentimentos que nos angustiam e que nos impedem de ver claramente. Havia o chiar do brinquedo, o riso da criança, a simplicidade do sorriso, a força para acreditar, o desejo concretizado.

Senti o meu corpo novamente. Agitava-se na cama, dava risos sonoros, e os meus olhos abriram-se. Ali estava eu. Sentada na cama, de sorriso na cara, um sorriso tolo de quem está feliz, o sorriso tolo de quem entendeu.

O nosso mundo dos sonhos está aqui dentro de nós. Basta saltarmos lá para dentro, de coração aberto e com sentimento puros. De lá sairemos mais ricos e conseguiremos alcançar o desejado. Dar o que temos de bom e deixar que alguém nos guie, vamos?

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