terça-feira, 26 de novembro de 2013

Corre o vento, corre livremente
Corre sem correntes que o prendam
Sem amarras
Sem condicionantes
Corre desbragadamente
Até mais além

Eu aqui
Eu aqui presa
Eu aqui amarrada
Acorrentada
Amordaçada

Vejo
Vejo o que poderia ser
Vejo a vontade de ser
Quero ser

Invejo o vento
In vejo o vento
Sinto-o cá dentro
Causa tumulto
Transtorna
Transforma

E quando em furacão se tornar

Nada me irá parar

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

as-sumut

a·zi·mu·te


(
árabe as-sumut, plural de samt, caminho, .direção, ponto no horizonte)

substantivo masculino
1. [Astronomia]  Ângulo diedro orientado em aresta vertical que faz o plano vertical passando por um ponto dado ou observado com o plano meridiano do lugar do observador.

"azimute", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/azimute [consultado em 18-11-2013].


Podem vir as intempéries
Os vendavais e tempestades
Podem até trazer ainda os tornados
Espalhando má-fé e ruindades

Podem ainda vir o sol escaldante
O deserto, a angústia e alucinação
Podem até vir gritos de desespero
Fugindo o ânimo… parece maldição

Mas o samt está traçado
Sei o ponto que sigo
Não perco o ponto no horizonte
Sei que estás comigo

O compromisso foi feito
Estou aqui para servir
Com a promessa que me rege
Sei o caminho a seguir

E há partilha e respeito
Abertura e honestidade
Um caminho de valores
Que nos encaminha para a felicidade

O azimute está traçado
Vou de vara na mão
Os caminhos a percorrer
São decerto uma lição

Nunca estarei só
Nunca seremos sós
Eu, tu neste samt

Seremos o azimute, seremos nós

domingo, 3 de novembro de 2013

Descobri que o mundo é apertado.

Descobri que o mundo é apertado. É um túnel escuro e esguio, onde mal cabem os ombros, onde nos falta o ar querendo por vezes parar no caminho e deixar de tentar encontrar a luz do dia. E como se não bastasse o percurso ser árduo, o ar ser pouco e quase irrespirável ainda passam os morcegos, bem negros, como que a gozar por conseguirem passar sem dificuldade, agoirando o nosso fado… pobres morcegos que não sabem o que é a luz do dia… que não suportam a luz, a claridade, a transparência. Vivem de tal modo nesse mundo obscuro que não sabem viver de outra maneira, nem conhecem essa liberdade de espirito, essa harmonia que a luz traz à nossa vida.
Este sufoco parece não ter fim, quando há um desafogo no percurso, estreita-se de imediato, escavamos, arranhamos, tentamos passar e sair dali e as nossas mãos prostram-se, o corpo rende-se e a mente deixa de acreditar.
E até te podem lançar uma corda. Até te podem empurrar pelos pés, e até te podem puxar pelas mãos… podem até abrir uma abertura para que saias do túnel, mas a tua mente… é ela que constrói estes túneis, é ela que só vê os morcegos, é ela que desiste e que não deixa o teu corpo avançar.
Liberta-te desse túnel. “Vem cá fora ver o sol que já nasceu, os pássaros a cantar. Vem só tu podes descobrir o que o dia reserva para ti.”

Está na tua mente, está em ti, Deus confiou-te este fado porque sabe do que és capaz. E tu? Tu és capaz.