O mar está calmo.
As ondas desfalecem na areia como que a acariciá-la num terno gesto. O sol
aquece o meu corpo como um cobertor que me aquece os ombros num dia mais frio
de inverno. A brisa toca o meu rosto com suavidade. Os meus olhos fecham-se. O som
do mar envolve-me, sinto a minha respiração calma e serena.
Quero apenas
calar vozes. As que me desconcentram, as que me desviam, as que se impõem, as
que me tiram pedaços de mim, as que arranham, as que me cobrem de desconfiança.
Há em mim um
turbilhão, uma confusão, uma revolução, uma inquietação que me esmaga, que me
aprisiona, que me acorrenta e me amordaça.
Quantas lutas
inglórias, quantas injustiças.
A ironia do destino a dar-me com
uma mão, a tirar com outra, a dar-me esperança e a roubar-ma no instante
seguinte.
Refastelada, instalou-se,
confortavelmente, no meu ser a desilusão.
O mar está calmo. Quero apenas…