terça-feira, 25 de junho de 2019

(des)ilusão



O mar está calmo. As ondas desfalecem na areia como que a acariciá-la num terno gesto. O sol aquece o meu corpo como um cobertor que me aquece os ombros num dia mais frio de inverno. A brisa toca o meu rosto com suavidade. Os meus olhos fecham-se. O som do mar envolve-me, sinto a minha respiração calma e serena.
Quero apenas calar vozes. As que me desconcentram, as que me desviam, as que se impõem, as que me tiram pedaços de mim, as que arranham, as que me cobrem de desconfiança.
Há em mim um turbilhão, uma confusão, uma revolução, uma inquietação que me esmaga, que me aprisiona, que me acorrenta e me amordaça.
Quantas lutas inglórias, quantas injustiças.
A ironia do destino a dar-me com uma mão, a tirar com outra, a dar-me esperança e a roubar-ma no instante seguinte.
Refastelada, instalou-se, confortavelmente, no meu ser a desilusão.
O mar está calmo. Quero apenas…