sexta-feira, 20 de setembro de 2013

As tuas palavras de nada valem
Aqui neste meu mundo não têm grandeza
São flores belas que colheste no jardim
São as espigas mais douradas do campo
São as luzes mais coloridas que já vi

Agora olha
Repara bem
Fecha os olhos
O que vês?

São artificiais as flores que colheste
São espigas desprovidas de milho
São luzes tapadas por papéis que se queimam rapidamente

Quem és afinal?
Não são as palavras que te definem….

Hoje semeaste a flor
E o teu rosto era tão luminoso que vi a generosidade
Vi o amor quando deste de ti

Hoje colheste o milho,
E brotou um sorriso porque colheste aquilo que semeaste
E era tão belo que uma lágrima se escapou

Hoje houve silêncio.
E ouvi o teu barulho…
O som que de ti sai…
A música do teu corpo…

 E fez-se luz
Verde, azul, amarela, vermelha, verde, roxa

E és tão belo quando te mostras assim…
Quando és mais do que as palavras que libertas
Quando as tuas ações te definem
Quando és o exemplo a seguir

TU és o exemplo que eu quero seguir…

Chiiiuuuuuu!


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Silvina

Hoje queria falar-vos de alguém muito especial. Não ganhou nenhum prémio nobel, não pertence a nenhum partido político, não é cantora que se conheça, não é artista de novela, não é acrobata de circo, não é médica reconhecida, nem a professora da aldeia.
Está quase nos setenta. Os cabelos brancos e as rugas no rosto são marcas de uma vida de luta, uma vida de trabalho. Nunca teve facilidades. Aos treze já trabalhava, aos 32 casava, aos 33 primeira filha….momentos muito difíceis entretanto… dores de mãe, difíceis de falar, difíceis de expor… aos 40… bem aos 40… aos 40 desabou o céu e o chão fugiu-lhe dos pés e agarrada aos dois filhos entrou num abismo de uma viuvez, de um recém nascido, de uma casa nova, de uma reviravolta estranha, surreal…. Mas agarrou-se a qualquer coisa, aos filhos? Ao sentido que a vida fazia para si? A tudo? A nada? E construiu um caminho novo, derrubou barreiras, medos, arregaçou as mangas e semeou na terra aquilo que mais tarde queria colher.
Não tem ternura nos olhos (a não ser quando vê as netas) porque a vida não lhe mostrou a ternura, não tem palavras meigas e gentis na boca, porque a vida a ensinou de que pouco valem em situações limite, não tem amigas para tomar chá, não vai à ginástica, não socializa muito. Vive semeando. Vive dando o apoio de estar presente junto dos que envelhecem, mostrando disponibilidade e dois dedos de conversa corriqueira. Vive para a família que precisa dela.
Não sei se acredita na amizade, nem sei se acredita no amor desmedido e cego. Acredita no que vê, nas intuições que tem, no trabalho das suas mãos. Nunca criou expetativas sobre nada, muito pelo contrário, mais depressa via o erro, o mal, a desconfiança. Silenciosamente celebrava as vitórias dela e dos filhos… nunca ouvi um elogio, nunca senti uma palmada no ombro… mas vi o brilho no olhar, a verdade das palavras, a análise fria das coisas.
Se há um herói na minha vida, é ela. Ela, sempre fiel aos seus princípios, sempre à altura das situações, sempre de mangas arregaçadas.

Mãe, a maior lição que me deste foi a definição da palavra humildade através do teu exemplo.