domingo, 26 de abril de 2015

D. Inércia

A D. Inércia andou aí uns tempos na moda por causa da publicidade a um banco e hoje não consigo deixar de pensar nela.
i·nér·ci·a 
(latim inertia, -ae)

substantivo feminino
1. Falta de movimento ou de actividade.
2. Preguiça, indolência.
3. [Física]  Propriedade dos corpos que não podem, de per si, alterar o seu repouso ou o seu 
movimento.
4. [Física]  Resistência de um corpo ao movimento ou ao repouso.

"inercia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/inercia [consultado em 26-04-2015].

Propriedade dos corpos que não podem alterar…. Não podem???? Poder podem, mas não querem.
Trabalho com jovens em duas vertentes diferentes e há um medo que vai crescendo, um medo de quem é mãe, professora, educadora, irmã mais velha, mas principalmente como mãe leva-me a uma reflexão profunda.
Nós, adultos, que trabalham, que têm escassez de tempo temos um defeito grande: assumimos as responsabilidades que deveriam de ser dos nossos jovens e das nossas crianças e não notamos que os estamos a privar de algo muito, muito importante.
“ Vem cá que eu visto-te para ser mais rápido, estamos atrasados.” ou “ A mochila da ginástica já está pronta, vá leva-a” ou “ Não gostas dessa área, pronto mudamos de escola.” ou “Coitados, eles andam tão cansados”
Há uma geração que tinha despertador, um a sério (a mãe a chamar não conta) que preparavam o seu pequeno- almoço, que ia a pé para a escola, ou de bicicleta ou na loucura de autocarro. A geração que se molhava a ir para a escola e que não tinha solução a não ser deixar a roupa secar no corpo. A geração que se queria uma aparelhagem tinha de trabalhar no verão para ela. A geração que tem uma casa, um carro porque trabalhou para isso. A geração que chamaram de rasca há uns anos atrás.
“Mãe, pai, quero um iphone novo, quero roupa nova, quero sair, quero ter liberdade mas dá-me dinheiro”
As nossas crianças, os nossos jovens, não são autónomos, não são expeditos, não são responsáveis e raramente se colocam no lugar do outro, raramente assumem uma outra perspectiva das coisas. Noto uma desresponsabilização infantil nas camadas mais jovens, um não querer estudar, um não me apetece, um não me vou preocupar e esquecem que há vida daqui a 10 anos e que os pais podem não estar para sempre e que a vida está ali, nas suas mãos, a sua felicidade, o seu bem estar está ali.
Custa-me ter mães que choram, que desconfiam, que não vêem a solução, que sofrem por alguém que nem quer saber.
O meu papel como mãe é responsabilizar, é deixar errar, é deixar que sejam elas a solucionar os problemas. Como professora é gerir a autonomia, é continuar a mostrar o outo lado, é sensibilizar, como educadora levá-los a colocar-se do outro lado, mostrar-lhe o mundo para além do deles, para além dos telefones, das redes sociais, das vontades fugazes. Como irmã mais velha, preparar cidadãos que respeitam, que sabem estar, que são responsáveis pelos seus actos, que assumem as suas fragilidades e que as tentam superar….
D. Inércia, vá dar uma volta por favor…

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Kiss

- Give me a kiss…
E recebo um olhar malandreco, daqueles tão doces que me fazem sorrir… nem sempre recebo o kiss na hora que o peço. Do nada surge uma peque na boca que faz o biquinho mais fofo do mundo e os lábios encostam-se nos meus. São segundos, pequenos e deliciosos segundos que me fazem entrar por essa porta de doce de morango, passear no jardim dos balões de ar coloridos, rodopiar numa saia rodada co de rosa e cair no chão com tanta felicidade.
Depois vêm uns lábios ciumentos. Um abraço apertado, um cheiro meu, dela, nosso, um beijo bem repenicado, um olhar de mel, um sorriso enamorado… e a porta agora é de chocolate de leite com pequenos pedaços de amêndoa, e no jardim há bolinhas de sabão e rodopio sob um chapéu de chuva de transparente e voo neste momento único.

Depois há o beijo. Aquele que aquece, que queima, que acende a chama. Aquele que tem sabor a desejo, a impulso, a nudez….
E há o beijo. Aquele com que apertamos os amigos, aquele que leva uma mantinha quentinha e uma chávena de chá ao nosso coração.

E são estes os únicos beijos que valem a pena dar e receber.