A D. Inércia andou aí uns tempos
na moda por causa da publicidade a um banco e hoje não consigo deixar de pensar
nela.
i·nér·ci·a
(latim inertia, -ae)
(latim inertia, -ae)
substantivo feminino
1. Falta de movimento ou de actividade.
2. Preguiça, indolência.
3. [Física] Propriedade dos corpos que não podem, de per si, alterar o seu repouso ou o seu
movimento.
4. [Física] Resistência de um corpo ao movimento ou ao repouso.
"inercia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/inercia [consultado em 26-04-2015].
Propriedade dos corpos que não
podem alterar…. Não podem???? Poder podem, mas não querem.
Trabalho com jovens em duas
vertentes diferentes e há um medo que vai crescendo, um medo de quem é mãe,
professora, educadora, irmã mais velha, mas principalmente como mãe leva-me a
uma reflexão profunda.
Nós, adultos, que trabalham, que
têm escassez de tempo temos um defeito grande: assumimos as responsabilidades
que deveriam de ser dos nossos jovens e das nossas crianças e não notamos que
os estamos a privar de algo muito, muito importante.
“ Vem cá que eu visto-te para ser
mais rápido, estamos atrasados.” ou “ A mochila da ginástica já está pronta, vá
leva-a” ou “ Não gostas dessa área, pronto mudamos de escola.” ou “Coitados,
eles andam tão cansados”
Há uma geração que tinha
despertador, um a sério (a mãe a chamar não conta) que preparavam o seu
pequeno- almoço, que ia a pé para a escola, ou de bicicleta ou na loucura de autocarro.
A geração que se molhava a ir para a escola e que não tinha solução a não ser
deixar a roupa secar no corpo. A geração que se queria uma aparelhagem tinha de
trabalhar no verão para ela. A geração que tem uma casa, um carro porque
trabalhou para isso. A geração que chamaram de rasca há uns anos atrás.
“Mãe, pai, quero um iphone novo,
quero roupa nova, quero sair, quero ter liberdade mas dá-me dinheiro”
As nossas crianças, os nossos
jovens, não são autónomos, não são expeditos, não são responsáveis e raramente
se colocam no lugar do outro, raramente assumem uma outra perspectiva das
coisas. Noto uma desresponsabilização infantil nas camadas mais jovens, um não
querer estudar, um não me apetece, um não me vou preocupar e esquecem que há
vida daqui a 10 anos e que os pais podem não estar para sempre e que a vida
está ali, nas suas mãos, a sua felicidade, o seu bem estar está ali.
Custa-me ter mães que choram, que
desconfiam, que não vêem a solução, que sofrem por alguém que nem quer saber.
O meu papel como mãe é responsabilizar,
é deixar errar, é deixar que sejam elas a solucionar os problemas. Como professora
é gerir a autonomia, é continuar a mostrar o outo lado, é sensibilizar, como
educadora levá-los a colocar-se do outro lado, mostrar-lhe o mundo para além do
deles, para além dos telefones, das redes sociais, das vontades fugazes. Como irmã
mais velha, preparar cidadãos que respeitam, que sabem estar, que são responsáveis
pelos seus actos, que assumem as suas fragilidades e que as tentam superar….
D. Inércia, vá dar uma volta por
favor…