Era o último dia do ano de 2010. Depois de fazer choradinho, lá convenci o meu companheiro de viagem a embarcar numa nova aventura, adotar um cão.
A Nina andava há já uns tempos a fazer-me olhinhos na página das Quatro patas e focinhos. O olhar meigo e assustado conquistaram-me e só pensava em acarinhá-la, em fazê-la sentir-se segura.
Quando chegámos à Mealhada conhecemos a Nina, uma cadela adulta, com 4 anos, muito assustada principalmente na presenta de pessoas do sexo masculino, vá-se lá saber qual a história por detrás deste medo. Nesse dia tinha acabado de chegar ao canil um cão lindo, daqueles peludinhos e pequenos que qualquer família se apaixonaria. A Daniela ficou encantada com ele, ainda nos perguntaram se queríamos mudar de ideias, mas eu estava segura da minha decisão, esta cadela seria um desafio e eu estava disposta a conquistá-la.
Os primeiros dias da Nina em nossa casa não foram fáceis. Assustada, com medo de todos, mas afeiçoou-se a mim. Descobri que estava grávida da Filipa passados uns meses, nesta altura a Nina já roubava os bonecos do triciclo da Daniela enquanto ela dava volta intermináveis ao pátio.
A Nina nunca nos saltou para cima, mas abanava o rabo com uma felicidade imensa com aquele olhar meigo que nos derretia e nos deixava apaixonados. A minha mãe tentou aproximar-se dela, mas deve ter demorado um ano até se conseguir chegar sem que ela lhe rosnasse, nos últimos anos já se deixava tocar.
Quando cheguei a casa, depois da Pipa ter nascido e ter ficado internada , senti-me vazia e perdida, fui procurar o miminho bom da Nina. Ela cheirou-me toda e deitou-me um olhar triste, parecia que me entendia, parecia que tinha percebido que eu tinha dado à luz, mas a minha cria não estava comigo... A Nina cresceu com a Daniela e com a Filipa, sempre com uma barriga fofa virada para elas à espera das festinhas que tanto gostava, sempre com um focinho a tocar ao de leve nas nossas mãos procurando o nosso toque.
Não quero nunca esquecer esta minha companheira de 8 anos, que me obrigou a conquistá-la, que me amou, que confiou em mim, a que corria atrás das minhas filhas, a que conquistou a dona da churrasqueira e os clientes que a viam no tapete à espera de um mimo... Não sei onde ficaste, não sei se estás viva, só sei que aqui em casa há um vazio enorme, que a toda a hora acho que és tu a ladrar ao portão à espera de entrar, a cada chegada acho que sairás por trás das ervas do jardim a ladrar feliz por estarmos em casa...
Por aqui e por acolá, vão surgindo uns escritos...palavras que já não cabem cá dentro e que, aos poucos, vão saindo para ver o mundo. Vão ficando por aqui algumas notas que vou tomando no meu bloco, disto e daquilo e talvez até de nada....
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
terça-feira, 25 de junho de 2019
(des)ilusão
O mar está calmo.
As ondas desfalecem na areia como que a acariciá-la num terno gesto. O sol
aquece o meu corpo como um cobertor que me aquece os ombros num dia mais frio
de inverno. A brisa toca o meu rosto com suavidade. Os meus olhos fecham-se. O som
do mar envolve-me, sinto a minha respiração calma e serena.
Quero apenas
calar vozes. As que me desconcentram, as que me desviam, as que se impõem, as
que me tiram pedaços de mim, as que arranham, as que me cobrem de desconfiança.
Há em mim um
turbilhão, uma confusão, uma revolução, uma inquietação que me esmaga, que me
aprisiona, que me acorrenta e me amordaça.
Quantas lutas
inglórias, quantas injustiças.
A ironia do destino a dar-me com
uma mão, a tirar com outra, a dar-me esperança e a roubar-ma no instante
seguinte.
Refastelada, instalou-se,
confortavelmente, no meu ser a desilusão.
O mar está calmo. Quero apenas…
segunda-feira, 6 de maio de 2019
2 minutos
Tem dias que questiono, que me
questiono, acerca do sentido da minha vida e das escolhas que faço.
Deixo muitas vezes a minha vida
pessoal para trás para estar noutros lugares para onde me leva o coração quando
a razão grita para que não faça. E sinto-me muitas vezes zangada comigo porque
não consigo dar ouvidos aos gritos da razão, porque muitas vezes não encontro o
sentido de as coisas acontecerem e eu quero muito acreditar que tudo faz
sentido, que não há nada ao acaso nesta vida.
Hoje é um dia que eu quero que
perdure na minha vida. Infelizmente a minha memória não colabora comigo e se não
registar os momentos com uma foto ou um texto, a minha vida esfuma-se no ar e
perde-se… mas os 2 minutos de hoje têm de ficar para sempre.
Hoje a campainha tocou. Espreitei
na janela e lá estava ela de capa preta na mão, de traje académico vestido. Recebi-a
com um sorriso e ela envolveu-me num abraço maravilhoso e só me disse:
- Obrigada por teres acreditado
em mim…
E tenho de me lembrar deste dia,
para que outros dias aconteçam…
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Para ti (vocês)
És o sol que me aquece numa manhã fria de inverno
És o mar que me banha os pés num dia quente de verão
És a brisa fresca quando chego ao alto da montanha
És a parte de mim que mais amo e admiro
Quando o dia se alonga, suspiro pelo teu abraço
Quando tudo me magoa, o teu beijo terno e doce me cura
Quando o medo toma conta de mim, na tua mão encontro a força
Moras dentro de mim
Pirilampo na noite escura
Abrigo na tempestade
Boia em alto mar
Contigo descobri o que era ser completa
Contigo sei o que é ser-se feliz
Contigo encontro-me, descubro-me
Contigo exploro a plenitude da vida
E a palavra amor ganha vida
E a palavra amor é doce
E a palavra amor é amor
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Três horas… três horas de desilusão,
de descontentamento, de amargura, de arrependimento. Três horas do dia bastaram
para me roubar sorriso, semear tristezas e derrubar as minhas crenças. Três horas…
Estará assim tudo errado em mim,
serei eu?
Não há fórmulas corretas… bolas! Digo
isto tanta, tanta vez. Tento, tento tanto ser eu mesma e confiar nos meus
instintos, no que acho mais acertado.
Mas é como a bola de sabão que
moldamos com todo o cuidado, que queremos ver ganhar altitude e voar em toda a
sua plenitude e beleza e, antes mesmo de voar, rebenta. Rebenta mesmo antes de
se formar, antes de ser bola de sabão.
E no olhar da criança esperançosa
e cheia de alegria, vai-se o brilho… enche-se o olhar de tristeza, de
desilusão.
Há dias em que perco. Ou porque
tem água a mais, ou produto a mais, as bolas não se formam. Perco a vontade de tentar
de novo.
Três horas… Não quero mais fazer
bolas de sabão. Não há motivos para as fazer.
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