São caminhos que se abrem à nossa
frente. São escolhas que podemos fazer. São percursos que optamos por não
fazer. São consequências.
Nos últimos dois anos deixei de
ser morninha. Vivia a minha vida naquela rotina chata, a fazer algo que não me
enchia as medidas, a sobreviver aos dias com o peso da tristeza e da insatisfação
nos meus olhos, nos meus lábios. Dentro de mim crescia uma nuvem negra que se
alastrava, que me dominava, que me afastava de mim mesma.
Ser morninha não é para mim. Sei
que Deus espera mais. Sei que o melhor de mim está para vir e que o tempo não
me dá mais tempo. Aqui e agora. É hora!
Depois há aqueles momentos chave
da nossa vida. E o telefone toca e nós atendemos. E de repente estou
deslumbrada por estudar de novo, sinto-me realizada, sinto-me mais eu, sinto-me
desperta… a nuvem vai-se dissipando, aos poucos.
Não quero ser mais morninha. Largo
o certo pelo incerto. Acredito em mim, acredito no que sou capaz. Sei que sou
melhor, sei ser melhor e que Deus me ajude porque não vou baixar os braços.
Depois há um mail. E não vai para
onde nós pensávamos que ia… mas foi… e passados uns meses ligam-nos. E ali
estou, no sítio onde sempre quis estar. E estou nervosa, mas tão, mas tão
feliz.
Agora há sol e vê-se. Basta reparar
no meu olhar, o meu sorriso voltou, a minha alegria regressou e estou de braços
abertos para os receber. Não. Não sei o dia de amanhã. Sei, sei que vou andar
sempre na incerteza. Mas sei que darei sempre o meu melhor. Não duvido do que
sou capaz. Fui escolhida e escolho este caminho. É esta a minha missão.
E quando um menino na catequese
me pergunta se eu vi Deus fisicamente, eu digo-lhe que sim. Ele esteve na forma
de vara bifurcada na praia no dia que decidi ir ouvir o mar, ele estava nas
minhas mãos quando me enganei a enviar o mail, ele sussurra-me ao ouvido
convidando-me a concretizar a minha missão. Tu não o vês? Não o ouves? Tens de
estar mais atento.