Há 13 anos que guardo este
pequeno pedaço de papel. Vai mudando de carteira para carteira, vai mudando de
lugar e permanece junto com outros papéis que ocupam o lugar por um curto
espaço de tempo.
Sei exatamente onde estava
naquele dia, sei exatamente qual era o telemóvel que tinha quando me fizeram a
chamada, sei quem estava do outro lado do telefone, a mesma pessoa que 13 ano
depois me volta a inquietar-me com a mesma questão e, possivelmente, também não
me esquecerei do local onde estava, nem da voz ao telefone…
Todos os dias a vida nos lança
estes desafios, que nos levam a questionar as razões que os outros tiveram para
nos escolherem para determinadas tarefas, e muitas das vezes, vasculhamos,
feitos baratas tontas, as razões que levaram essas pessoas a fazerem isso.
Hoje, 13 anos depois, descubro
que a resposta a esta questão está no futuro… não está no passado. É aquilo que
somos capazes de fazer que nos torna especiais, não é o que fomos, nem o que
fizemos. São os valores que empunhamos, a envolvência que temos e termos a
certeza de que onde quer que estejamos faremos sempre o nosso melhor, daremos
sempre mais, seremos sempre homens novos ajustados às situações que nos vão
surgindo…
É isto que se chama fazer
caminho. É aqui que está a chama. Uma luz forte que nos guia, e, confiantes,
caminhamos para ela.
