Estou a tentar identificar-te
hoje. Mas teimas em te esconder por trás de lágrimas, por baixo das saudades,
navegando em lembranças, voando para o futuro num balão de ar quente instável,
umas vezes quase tocando o sol, noutras navegando sobre as nuvens. Continuas a
correr para o desconhecido, por vezes parando, por vezes desistindo, outras, desenfreadamente,
vais, apenas vais.
Sei o que não és. Não há em ti
aversão, irritação nem fúria. Há uma calma, aquela de quem aceita o que não
pode mudar, aquela que vem da fé de que quem tu és vale por si.
Ao ver-te saltitando de memória
em memória, identifico o brilho no teu olhar, és a alegria de quem viveu muitos
e bons momentos, de quem se sentiu amado, de quem deu o seu melhor e isso
bastou. És a alegria nos pequenos milagres de todos os dias, dos toques
fugidios, mas sentidos, dos olhares ternos, dos momentos banais, comuns tão
cheios de tudo, que nos completam, que nos preenchem.
Quando o teu olhar se perde no
infinito do céu, quando o teu peito se enche de maresia, quando continuas
balançando na corda sem saber se avanças, se saltas, eu sei quem és. O medo. O
desconhecido é sempre o desafio que te alicia a experimentar, a tentar, a
descobrir-te, mas é aquele que te pode desiludir, que te pode fazer falhar. Tão
fácil que seria ser conformado.
E tu? O que andas aí a fazer? Não
te foques nisso. Olha, foram bons momentos, foram felizes, se calhar nem lhes
deste valor no momento. Mas agora consegues ver como te mudaram, como fizeram
de ti quem és. O que trazes contigo dessas horas, desses dias, desses instantes?
O que te mudou? O que fez de ti uma pessoa melhor? Anda, não olhes para esse
lado… dirige o teu olhar para o futuro. Não fiques triste agarrado ao que não
podes mudar. Transforma essa lagarta numa linda borboleta… Voa