quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Chuva

Ainda no conforto da cama
Nos lençóis que me mimam
Que me protegem
Ouço que hoje chove

São os carros que deslizam na chuva
São os pingos que caem no meu quintal
É a falta de vozes na rua
É a falta do cão que ladra

Solta-se o desejo o desejo de ficar
De acariciar a minha cama
De não largar o conforto
Mas chega o “tem de ser”
Puxa-nos pelas pernas
Coloca-nos debaixo do chuveiro
Veste-nos, alimenta-nos
Dá-nos um chuto e
Empurra-nos para a rua.

NÃO!!
Fogo, está a chover.
Não me quero molhar
Andar à chuva incomoda
Andar à chuva é irritante
Fica tudo embaciado
Fica tudo menos claro…
NÃO QUERO!

Sei na tua voz que chove
Sei no teu olhar que querias um lençol quentinho
Sei que a chuva te incomoda
Sei que procuras abrigo.

Meigamente dou-te um lençol
E empresto-te um guarda chuva.
Não posso parar a chuva.
Não posso.

Mas posso ser o “tem de ser”
 puxo-te pelas pernas
E dou-te um chuto
Vai lá apanhar a chuva
Mas transforma-a.

Chuva, és uma dádiva de Deus
És tu que alimentas o rio
És tu que arrebitas as flores
És tu que limpas o pó das folhas.
Tu és necessária.


Amiga,
Se chove dança nas poças
Ri com os pingos,
Solta a gargalhada.
Pensa que é bom que chova
Pensa no ado bom da chuva
Pensa em como é bom quando o raio de sol
Se junta ao dia de chuva…
Que belo arco iris!!!!

Há sempre um raio de sol
Nas nossas chuvosas vidas
Usa a ponta do lençol para abrir caminho por entre as janelas embaciadas.
Encontra o teu raio de sol.
O mundo espera por ti!



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Agora com licença. Vou fechar a porta.

Dois mil e treze…
Depois de dois mil e nove, ou melhor, juntamente a dois mil e nove, dois mil e treze… junto os dois num saco. É o saco dos piores anos, das desilusões, das dores profundas. Senti o meu limite nestes dois anos. Desci ao fundo do meu poço e fiquei por lá.
O ano que passou foi angustiante, tirou-me as forças, perdi o controlo do meu corpo e da minha mente, houve dias em que não me conheci, houve dias que não fui capaz de me encontrar.
Tive dias muito bons. Tive sim. Mas não duraram muito. O esquecimento, o dia a dia, o corre corre são das coisas piores. São os meus inimigos número um.
O meu dia a dia é desgastante. Os meus fins de dia são cansativos. Os meus fins de semana preenchidos.
No ano que passou, pouco tempo estive com os meus mais que tudo. E às vezes dou comigo a pensar onde estive então? E sei onde estive. Papa Francisco, estive lá, mas não estive com quem deveria ter estado.

Com base nisto decido: vou fechar portas. Tenho de fechar portas. Não posso deixar entrar angústias, coisas que me tornam miserável e que me levam para longe de mim. Não posso deixar de ser eu.
A minha felicidade está aqui. Mesmo aqui. Não devo procurá-la tipo geochaching há espera de ter uma pista que me pode levar à caixa ou a lado nenhum. Aqui. Está aqui, sem pistas, nem caixas, o meu alcance. Só tenho de estar disponível, de ter o coração aberto e a porta fechada.
Agora com licença. Vou fechar a porta. Vou até aqui ser feliz.

;)