Ainda no conforto da cama
Nos lençóis que me mimam
Que me protegem
Ouço que hoje chove
São os carros que deslizam na chuva
São os pingos que caem no meu quintal
É a falta de vozes na rua
É a falta do cão que ladra
Solta-se o desejo o desejo de ficar
De acariciar a minha cama
De não largar o conforto
Mas chega o “tem de ser”
Puxa-nos pelas pernas
Coloca-nos debaixo do chuveiro
Veste-nos, alimenta-nos
Dá-nos um chuto e
Empurra-nos para a rua.
NÃO!!
Fogo, está a chover.
Não me quero molhar
Andar à chuva incomoda
Andar à chuva é irritante
Fica tudo embaciado
Fica tudo menos claro…
NÃO QUERO!
Sei na tua voz que chove
Sei no teu olhar que querias um lençol quentinho
Sei que a chuva te incomoda
Sei que procuras abrigo.
Meigamente dou-te um lençol
E empresto-te um guarda chuva.
Não posso parar a chuva.
Não posso.
Mas posso ser o “tem de ser”
puxo-te pelas pernas
E dou-te um chuto
Vai lá apanhar a chuva
Mas transforma-a.
Chuva, és uma dádiva de Deus
És tu que alimentas o rio
És tu que arrebitas as flores
És tu que limpas o pó das folhas.
Tu és necessária.
Amiga,
Se chove dança nas poças
Ri com os pingos,
Solta a gargalhada.
Pensa que é bom que chova
Pensa no ado bom da chuva
Pensa em como é bom quando o raio de sol
Se junta ao dia de chuva…
Que belo arco iris!!!!
Há sempre um raio de sol
Nas nossas chuvosas vidas
Usa a ponta do lençol para abrir caminho por entre as janelas
embaciadas.
Encontra o teu raio de sol.
O mundo espera por ti!
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