Vivia num ovo espelhado,
pequeno e atarracado.
Fazia o que queria,
em tranquilidade vivia,
numa paz e harmonia,
sem grandes preocupações,
sem grandes decisões.
E dali não saía.
Chegou assim sem querer,
não veio de cavalo branco
não é príncipe ou outra realeza qualquer.
Chegou com um sorriso,
com carinho meiguice
e um pouco de traquinice.
De mãos dadas fizemos caminho,
olhando na mesma direção.
Ouvimos o nosso coração.
No meu ventre três sementes cresceram,
duas vidas nasceram
e do meu ovo saí.
O mundo agora é diferente
e tudo em mim mudou.
A minha vez de ser mãe chegou.
Nada em mim agora é certo,
nunca sei o que fazer:
Deve estar fechado ou aberto?
Deve ficar quente ou frio?
Com ou sem cobertor?
Vamos agora ao doutor?
Com manteiga ou Nutella?
Nesta escola ou naquela?
Com ou sem castigo?
Estás chateada comigo?
Oh mundo de preocupações,
das grandes decisões.
Sinto as mãos delas nas minhas,
os seus braços me envolvem.
Os sorrisos mais sinceros que conheço.
Os beijos mais doces do mundo.
As cumplicidades, as brincadeiras.
A flor arrancada só para mim.
O brilho do olhar quando encontra o meu.
Que coisa boa esta de ser mãe.
O amor é puro e desmedido,
sincero e correspondido.
É uma espécie de abrigo
nos dias de chuva e tristeza,
em que há desânimo e falta de força.
Dá-nos uma espécie de leveza,
ao coração cansado
que fica logo rendido
à doçura deste amor.
Por aqui e por acolá, vão surgindo uns escritos...palavras que já não cabem cá dentro e que, aos poucos, vão saindo para ver o mundo. Vão ficando por aqui algumas notas que vou tomando no meu bloco, disto e daquilo e talvez até de nada....
sexta-feira, 23 de junho de 2017
O reino das crianças
Num certo reino de fantasia
habitava a doideira e a alegria.
Duas meninas lá viviam.
Bolas de sabão,
balões cor de rosa,
amigos imaginários,
baloiços,
escorregas aqui e além
e muita música também.
Neste reino de fantasia
as meninas brincavam
riam e dançavam.
Dizia-se que tinham poderes
daqueles que são mágicos.
Numa bola de sabão
eis que surge a ilusão:
a Joana sentada no dragão.
- Tem cuidado, Joana,
pode atacar-te o dragão.
Mas a Joana não ouve,
ri, pula e dança
faz rodar a sua trança
e cai redonda no chão.
Ri-se a Pipa, a Daniela
e vai-se a Joana pela janela,
em cima do dragão,
dentro da bola de sabão.
Num reino mais além
vivem os adultos, como convém.
Seres estranhos e diferentes
sem sonhos, sem fantasia.
Falta-lhes tanto a alegria!
Cabisbaixos, resmungões,
os adultos são pequenas desilusões.
Fazem birras, falam alto
não ouvem, não dão atenção.
Oh adultos sem coração !
Lembram-se dos poderes mágicos?
A Pipa faz uma bola de sabão.
A Daniela coloca lá um coração.
Lançam a bola de sabão,
lançam um beijinho vindo do coração.
Então, o mundo dos adultos
que fazem birra, falam alto,
não ouvem, não dão atenção,
fica um arco íris de cores.
Vão-se embora as dores.
Sentam-se os adultos nos baloiços,
ouvem música sem parar,
dançam e riem até fartar.
Viajam com o dragão,
dão à Joana a mão,
e recuperam o coração.
E tudo fica mais doce.
E tudo fica melhor.
Quando reina a felicidade,
quando se esquece a idade,
o reino do adulto
vira reino da fantasia
com a ajuda da alegria
que a criança irradia.
habitava a doideira e a alegria.
Duas meninas lá viviam.
Bolas de sabão,
balões cor de rosa,
amigos imaginários,
baloiços,
escorregas aqui e além
e muita música também.
Neste reino de fantasia
as meninas brincavam
riam e dançavam.
Dizia-se que tinham poderes
daqueles que são mágicos.
Numa bola de sabão
eis que surge a ilusão:
a Joana sentada no dragão.
- Tem cuidado, Joana,
pode atacar-te o dragão.
Mas a Joana não ouve,
ri, pula e dança
faz rodar a sua trança
e cai redonda no chão.
Ri-se a Pipa, a Daniela
e vai-se a Joana pela janela,
em cima do dragão,
dentro da bola de sabão.
Num reino mais além
vivem os adultos, como convém.
Seres estranhos e diferentes
sem sonhos, sem fantasia.
Falta-lhes tanto a alegria!
Cabisbaixos, resmungões,
os adultos são pequenas desilusões.
Fazem birras, falam alto
não ouvem, não dão atenção.
Oh adultos sem coração !
Lembram-se dos poderes mágicos?
A Pipa faz uma bola de sabão.
A Daniela coloca lá um coração.
Lançam a bola de sabão,
lançam um beijinho vindo do coração.
Então, o mundo dos adultos
que fazem birra, falam alto,
não ouvem, não dão atenção,
fica um arco íris de cores.
Vão-se embora as dores.
Sentam-se os adultos nos baloiços,
ouvem música sem parar,
dançam e riem até fartar.
Viajam com o dragão,
dão à Joana a mão,
e recuperam o coração.
E tudo fica mais doce.
E tudo fica melhor.
Quando reina a felicidade,
quando se esquece a idade,
o reino do adulto
vira reino da fantasia
com a ajuda da alegria
que a criança irradia.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Se me dissessem há um ano que
hoje estaria aqui, provavelmente rir-me-ia na cara da pessoa e diria que tal
seria impossível.
Foi, sem dúvida, um ano muito
atípico. Primeiro a DECISÃO mais difícil
que tomei na minha vida até hoje, depois todas as voltas que a vida me vai
dando.
Esta marota, a vida, vai-me
mostrando que devemos dar pontapés no im do impossível. E eu dou. Mas depois
ela mostra-me que as coisas não são lineares, não são fáceis, e muitas das
vezes, nem justas.
Depois de fazer estágio pensei que
tinha chegado o momento de tudo ficar calmo, até calmo em demasia, mas fui
colocada nas AEC… vamos lá então, pensei eu que ficaria ali até ao final do ano
com as minhas pequenas, traquinas, marotas e fofas criaturas. Pois, não.
Eis que acontece o inesperado e
ligam-me da escola para onde enviei um currículo por engano. De mês para mês
houve a incerteza. Nunca soube se ficaria por mais um mês ou mais…
Depois as listas provisórias...
trabalhei imenso, dei o que tinha e o que não tinha, despendi dinheiro que
fazia falta à família, tempo em família, empenhei-me imenso… mesmo muito e a
desilusão foi uma forte chapada que ficou marcada, ardente, rubra…
E agora?
Agora mais do mesmo: incerteza,
vontade, luta.
Daqui a um ano???
😊
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