Num certo reino de fantasia
habitava a doideira e a alegria.
Duas meninas lá viviam.
Bolas de sabão,
balões cor de rosa,
amigos imaginários,
baloiços,
escorregas aqui e além
e muita música também.
Neste reino de fantasia
as meninas brincavam
riam e dançavam.
Dizia-se que tinham poderes
daqueles que são mágicos.
Numa bola de sabão
eis que surge a ilusão:
a Joana sentada no dragão.
- Tem cuidado, Joana,
pode atacar-te o dragão.
Mas a Joana não ouve,
ri, pula e dança
faz rodar a sua trança
e cai redonda no chão.
Ri-se a Pipa, a Daniela
e vai-se a Joana pela janela,
em cima do dragão,
dentro da bola de sabão.
Num reino mais além
vivem os adultos, como convém.
Seres estranhos e diferentes
sem sonhos, sem fantasia.
Falta-lhes tanto a alegria!
Cabisbaixos, resmungões,
os adultos são pequenas desilusões.
Fazem birras, falam alto
não ouvem, não dão atenção.
Oh adultos sem coração !
Lembram-se dos poderes mágicos?
A Pipa faz uma bola de sabão.
A Daniela coloca lá um coração.
Lançam a bola de sabão,
lançam um beijinho vindo do coração.
Então, o mundo dos adultos
que fazem birra, falam alto,
não ouvem, não dão atenção,
fica um arco íris de cores.
Vão-se embora as dores.
Sentam-se os adultos nos baloiços,
ouvem música sem parar,
dançam e riem até fartar.
Viajam com o dragão,
dão à Joana a mão,
e recuperam o coração.
E tudo fica mais doce.
E tudo fica melhor.
Quando reina a felicidade,
quando se esquece a idade,
o reino do adulto
vira reino da fantasia
com a ajuda da alegria
que a criança irradia.
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