sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ser mãe

Vivia num ovo espelhado,
pequeno e atarracado.
Fazia o que queria,
em tranquilidade vivia,
numa paz e harmonia,
sem grandes preocupações,
sem grandes decisões.
E dali não saía.

Chegou assim sem querer,
não veio de cavalo branco
não é príncipe ou outra realeza qualquer.
Chegou com um sorriso,
com carinho meiguice
e um pouco de traquinice.
De mãos dadas fizemos caminho,
olhando na mesma direção.
Ouvimos o nosso coração.

No meu ventre três sementes cresceram,
duas vidas nasceram
e do meu ovo saí.
O mundo agora é diferente
e tudo em mim mudou.
A minha vez de ser mãe chegou.

Nada em mim agora é certo,
nunca sei o que fazer:
Deve estar fechado ou aberto?
Deve ficar quente ou frio?
Com ou sem cobertor?
Vamos agora ao doutor?
Com manteiga ou Nutella?
Nesta escola ou naquela?
Com ou sem castigo?
Estás chateada comigo?
Oh mundo de preocupações,
das grandes decisões.

Sinto as mãos delas nas  minhas,
os seus braços me envolvem.
Os sorrisos mais sinceros que conheço.
Os beijos mais doces do mundo.
As cumplicidades, as brincadeiras.
A flor arrancada só para mim.
O brilho do olhar quando encontra o meu.

Que coisa boa esta de ser mãe.
O amor é puro e desmedido,
sincero e correspondido.
É uma espécie de abrigo
nos dias de chuva e tristeza,
em que há desânimo e falta de força.
Dá-nos uma espécie de leveza,
ao coração cansado
que fica logo rendido
à doçura deste amor.

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