terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Pandora


Vivia a minha vida numa linha de comboio
Reta, direita e linear
Tudo era previsível e expectável
Tudo era aborrecido e detestável

A monotonia tomava conta dos dias
que eram certos como o som dos carris
e a sensaboria do meu ser
fez-me não querer ver

Que precisava de abrir as portas
Sair para respirar
Sair para voltar a ser eu
E a conquistar o que era meu

E tu entraste com um desafio no olhar
Não pronunciaste palavra
Levavas a caixa na mão
Fizeste-me perder a razão

Levantei a tampa só um pouco
e num sopro algo mudou
Trouxeste o caos, o vento e a tempestade
E eu dancei à chuva, deixei-me ir com o vento e fui com vontade

Do caos veio a harmonia
Do vento a metamorfose
Depois da tempestade a bonança
E foi então que a vi… lá estava a esperança!

Ana Pinto

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Naufraguei nos teus braços

Naufraguei nos teus braços
e perdi-me para sempre...

Não tenho rumo..
Estou sem norte e sem sorte,
desnorteada.
Já nem sem o que sinto.  Será que minto?

Mas quem sou eu agora?
Mapa sem escala, sem legenda.
Bússola sem agulha nem destino.
Sinto-me desorientada, sem tino.

Que faço?Boiam partes de mim em ti!
E tenho-te aqui, em mim.

Quero apanhar a boia de salvação
mas não lhe chego.
Foge na tua mão...
Leva-la para fora do meu alcance.

Afogo-me nas minhas lágrimas
que secas correm cá dentro.
Minha estrela polar... Sou tua!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Novelos enrolados


Novelos enrolados, baralhados pelas patas negras do gato brincalhão. Espalhados por todo o lado. Lá estão eles, emaranhados. Sento-me no chão de pernas cruzadas. Fito-os primeiro com raiva, depois com curiosidade, depois com desespero, depois com raiva novamente. Raiva por não encontrar a ponta. Bastava-me encontrar a ponta para começar tudo de novo. Quero enrolar estes novelos de novo. Quero pô-los direitinhos, bonitinhos, alinhadinhos.

Ali estou eu a observar os novelos. Procura com o olhar a solução. Mas é desesperante. Não sou capaz. Tenho um nó. Um nó no chão que toma forma e entra na minha cabeça e não sai de lá. E sou derrotada pelo cansaço. Deixo-me levar e fico enrolada neste nó, presa nestes novelos.

Fico prostrada naquele chão. Numa última tentativa tento tocar neles. Procuro com desespero o fio. Mas quanto mais as minhas mãos se mexem, mais os novelos se enrolam.

Sou vencida pelos nós que vão aparecendo.