Novelos enrolados, baralhados
pelas patas negras do gato brincalhão. Espalhados por todo o lado. Lá estão
eles, emaranhados. Sento-me no chão de pernas cruzadas. Fito-os primeiro com
raiva, depois com curiosidade, depois com desespero, depois com raiva novamente.
Raiva por não encontrar a ponta. Bastava-me encontrar a ponta para começar tudo
de novo. Quero enrolar estes novelos de novo. Quero pô-los direitinhos,
bonitinhos, alinhadinhos.
Ali estou eu a observar os
novelos. Procura com o olhar a solução. Mas é desesperante. Não sou capaz. Tenho
um nó. Um nó no chão que toma forma e entra na minha cabeça e não sai de lá. E sou
derrotada pelo cansaço. Deixo-me levar e fico enrolada neste nó, presa nestes
novelos.
Fico prostrada naquele chão. Numa
última tentativa tento tocar neles. Procuro com desespero o fio. Mas quanto
mais as minhas mãos se mexem, mais os novelos se enrolam.
Sou vencida pelos nós que vão
aparecendo.
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