domingo, 6 de janeiro de 2013

Novelos enrolados


Novelos enrolados, baralhados pelas patas negras do gato brincalhão. Espalhados por todo o lado. Lá estão eles, emaranhados. Sento-me no chão de pernas cruzadas. Fito-os primeiro com raiva, depois com curiosidade, depois com desespero, depois com raiva novamente. Raiva por não encontrar a ponta. Bastava-me encontrar a ponta para começar tudo de novo. Quero enrolar estes novelos de novo. Quero pô-los direitinhos, bonitinhos, alinhadinhos.

Ali estou eu a observar os novelos. Procura com o olhar a solução. Mas é desesperante. Não sou capaz. Tenho um nó. Um nó no chão que toma forma e entra na minha cabeça e não sai de lá. E sou derrotada pelo cansaço. Deixo-me levar e fico enrolada neste nó, presa nestes novelos.

Fico prostrada naquele chão. Numa última tentativa tento tocar neles. Procuro com desespero o fio. Mas quanto mais as minhas mãos se mexem, mais os novelos se enrolam.

Sou vencida pelos nós que vão aparecendo.

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