Vivia a minha vida numa linha de comboio
Reta, direita e linear
Tudo era previsível e expectável
Tudo era aborrecido e detestável
A monotonia tomava conta dos dias
que eram certos como o som dos carris
e a sensaboria do meu ser
fez-me não querer ver
Que precisava de abrir as portas
Sair para respirar
Sair para voltar a ser eu
E a conquistar o que era meu
E tu entraste com um desafio no olhar
Não pronunciaste palavra
Levavas a caixa na mão
Fizeste-me perder a razão
Levantei a tampa só um pouco
e num sopro algo mudou
Trouxeste o caos, o vento e a tempestade
E eu dancei à chuva, deixei-me ir com o vento e fui com vontade
Do caos veio a harmonia
Do vento a metamorfose
Depois da tempestade a bonança
E foi então que a vi… lá estava a esperança!
Ana Pinto
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