Às vezes fico a pensar que a
minha ingenuidade é inacreditável. É como se fosse uma mulher de 34 anos que
ainda acredita que o Pai Natal existe e que anda ali o ano inteiro a preparar,
com os seus amigos duendes, uma época festiva fantástica, cheia de luzes, de cânticos,
de calor, de abraços, sorrisos, cachecóis de amizade a amor por todo o lado. Que
idílio…
Mas depois há uma mão gigantesca
que atinge a minha face e me diz: CRESCE… e mostra-me que o Natal é uma fachada
consumista, que é um pretexto para se consumir, e, muitas das vezes, as pessoas
esquecem a verdadeira razão do Natal, natividade, nascimento… o salvador
nasceu.
E no meu dia a dia lá ando eu,
feita tola às vezes, a tentar mudar o mudo, a fazer deste local a better place…
e fico possessa por não mudar nada, por haver quem possa mudar e nada faça, por
esta porra desta vida ser injusta como o raio, por me apetecer gritar e
emudecerem-me com estatutos mais elevados, com frases feitas e hipocrisias.
Erguem-se bafejando palavras
cheias de poder e ostentação, erguem-se usando os argumentos mais válidos,
erguem-se cegos e surdos. Tendo olhos só vêm o azul que lhes convém, o
turquesa, esquecendo o azul mar, o azul claro, o escuro e todos os outros. Tendo
ouvidos, só o som das suas vozes faz sentido, e tamponam-nos a outros sons…
Mas como continuo a acreditar no
Pai Natal, arregaço as mangas e no que depender de mim, haverá Natal com tudo o
que há direito, sem esquecer o valor verdadeiro que as coisas têm…
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