quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ingenuidade


Às vezes fico a pensar que a minha ingenuidade é inacreditável. É como se fosse uma mulher de 34 anos que ainda acredita que o Pai Natal existe e que anda ali o ano inteiro a preparar, com os seus amigos duendes, uma época festiva fantástica, cheia de luzes, de cânticos, de calor, de abraços, sorrisos, cachecóis de amizade a amor por todo o lado. Que idílio…

Mas depois há uma mão gigantesca que atinge a minha face e me diz: CRESCE… e mostra-me que o Natal é uma fachada consumista, que é um pretexto para se consumir, e, muitas das vezes, as pessoas esquecem a verdadeira razão do Natal, natividade, nascimento… o salvador nasceu.

E no meu dia a dia lá ando eu, feita tola às vezes, a tentar mudar o mudo, a fazer deste local a better place… e fico possessa por não mudar nada, por haver quem possa mudar e nada faça, por esta porra desta vida ser injusta como o raio, por me apetecer gritar e emudecerem-me com estatutos mais elevados, com frases feitas e hipocrisias.

Erguem-se bafejando palavras cheias de poder e ostentação, erguem-se usando os argumentos mais válidos, erguem-se cegos e surdos. Tendo olhos só vêm o azul que lhes convém, o turquesa, esquecendo o azul mar, o azul claro, o escuro e todos os outros. Tendo ouvidos, só o som das suas vozes faz sentido, e tamponam-nos a outros sons…

Mas como continuo a acreditar no Pai Natal, arregaço as mangas e no que depender de mim, haverá Natal com tudo o que há direito, sem esquecer o valor verdadeiro que as coisas têm…

Sem comentários:

Enviar um comentário