Descobri que o mundo é apertado. É
um túnel escuro e esguio, onde mal cabem os ombros, onde nos falta o ar
querendo por vezes parar no caminho e deixar de tentar encontrar a luz do dia.
E como se não bastasse o percurso ser árduo, o ar ser pouco e quase irrespirável
ainda passam os morcegos, bem negros, como que a gozar por conseguirem passar
sem dificuldade, agoirando o nosso fado… pobres morcegos que não sabem o que é
a luz do dia… que não suportam a luz, a claridade, a transparência. Vivem de
tal modo nesse mundo obscuro que não sabem viver de outra maneira, nem conhecem
essa liberdade de espirito, essa harmonia que a luz traz à nossa vida.
Este sufoco parece não ter fim,
quando há um desafogo no percurso, estreita-se de imediato, escavamos,
arranhamos, tentamos passar e sair dali e as nossas mãos prostram-se, o corpo
rende-se e a mente deixa de acreditar.
E até te podem lançar uma corda. Até
te podem empurrar pelos pés, e até te podem puxar pelas mãos… podem até abrir
uma abertura para que saias do túnel, mas a tua mente… é ela que constrói estes
túneis, é ela que só vê os morcegos, é ela que desiste e que não deixa o teu
corpo avançar.
Liberta-te desse túnel. “Vem cá
fora ver o sol que já nasceu, os pássaros a cantar. Vem só tu podes descobrir o
que o dia reserva para ti.”
Está na tua mente, está em ti,
Deus confiou-te este fado porque sabe do que és capaz. E tu? Tu és capaz.
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