Na minha secretária os livros
espalham-se, abrem-se em contos, em poemas, em histórias, em palavras, em
imagens. Lá fora o sol brilha, radiante, aquece a sala, aquece o nosso corpo
gelado pela falta dos que nos fazem falta. Ao longe o gato mia para ir à rua,
os cães ladram à pessoa que passa. Ouvem-se os pássaros, os nossos condóminos
da oliveira do pátio.
O meu olhar está fixo, como está
sempre que tento encaixar peças. Umas imagens daqui, umas palavras dali, uma
compreensão do oral, um listening, um writing, uma apresentação, um powtoon, um
nearpod… o que se encaixa melhor? O que vai fazer com que entendam melhor? Que
caminho devo trilhar para que a mensagem chegue? O que se torna mais divertido?
Passa uma hora, duas… continuo a
tentar fazer com que a escape room funcione, raios.. ainda não foi desta.
A gata procura um lugar quentinho
para se enroscar, os cães já estão abrigados. Não se ouvem mais os pássaros. O
céu escurece, o sol já descansa enquanto a lua me acarinha com a sua luz e
brilho… faz-me sorrir.
Será que vale a pena? Ai
Fernando, tu sabes! Eu nessas tuas palavras. Nessa tua inquietação encontro-me
tantas vezes.
“Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”
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