No meio da serra ouve-se o sussurrar
da água que desliza acompanhando todo o nosso percurso. Amiga, que nunca nos
deixa só, que nos guia por entre caminhos tortuosos. As subidas deixam-me sem
fôlego, doí-me o peito e só penso que não vou conseguir chegar ao fim. A chuva
cai miudamente entrando primeiro no tecido das roupas depois, como um intruso
indesejado, na pele do meu corpo.
Duvido, questiono, fraquejo, tal
como Cleófas e o seu amigo, também eu me pergunto “Onde anda Ele?”. Desatenta.
Cega. Egoisticamente olho apenas para o tortuoso caminho, levo os olhos no chão
a mente na dificuldade e esqueço e esqueço-me, e não olho, não vejo e não
reparo.
Ali vai Ele. Mostrando-me que
devo separar o trigo do joio, que devo colocar à parte as coisas más. Devo com
elas aprender, crivar o que é realmente positivo e guardar como um tesouro
imenso. Deixar para trás o que me pesa, o que me prende o que me não deixa ser
feliz… Mais à frente, lá está Ele. E mostra-me que SER SAL não é mais que
mostrar aos outros que nos devemos amar uns aos outros, que devemos ter
compaixão, que devemos ser tolerantes. Nós, está nas nossas mãos sermos SUA
voz, sermos seus discípulos. Abandona tudo o que te prende, tudo o que te pesa
e vai – Diz-me. Não, não é por ter um lenço que sou mais escuteira do que
quando não o tenho. Sou escuteira todos os segundos dos meus dias, todos os
momentos em que tomo decisões, todas as dificuldades são superadas com uma
mente escutista. Sirvo-Te da melhor maneira que consigo. Ponho nas Tuas mãos o
meu melhor. Arde no meu coração as tuas palavras e o teu amor incondicional.
Nem todos os dias são fáceis. Vivemos
todos s tua cruz aqui e ali, ora por sermos julgados, ora por nos “cuspirem na
cara” ora por duvidarem de nós. E caímos, como TU. E, sim, há mãos que nos
levantam, há quem nos ame incondicionalmente, há quem nos acompanhe nos bons e
nos maus momentos e que nunca desista de nós. É pura verdade: NUNCA CAMINHAMOS
SOZINHOS.
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