No início eram os risos, os
sorrisos, as trocas de olhares. Sonhava-se de olhos abertos e esperava-se
dolorosamente pelo reencontro. Os dias eram longos de mais. Os minutos ao
telefone pequenos de mais. As palavras escritas nas cartas semanais tinham um
significado cerrado, sentido, lidas uma e outra vez para se absorver todo o
sentido. O coração disparava louco ao toque, ao sussurro. Os pensamentos
andavam num círculo analisando todas as palavras, todos os gestos. E suspirava-se,
ah como se suspirava…
Agora tem tudo um novo
significado. Agora há risos sonoros que chegam a “perturbar” o dia, há mãos
ansiosas que nos puxam, que nos arrastam para onde não queremos ir, há vontades
maiores que as nossas, há necessidades maiores que as nossas, há sonos que
tiram o nosso…
Mas todos os dias esperamos
dolorosamente pelo reencontro, todo dia a nossa mente anda grande parte do
tempo centrada nelas. O coração dispara ao primeiro toque, ao primeiro sorriso,
à primeira palavra e em todas as novidades da vida. Os minutos ao telefone são excessivamente
dolorosos e a ânsia pelo abraço, pelo toque no rosto, na mão é desmesurada.
Sentados, enroscados os nossos
corpos, deliciamo-nos com tamanha ternura. Nasce em nós um sentimento que vem
de dentro e que se vê somente com os olhos da alma, uma serenidade tamanha, uma
paz, uma tranquilidade. Não sei se é felicidade o nome dado a isto, ou se é
amor… não sei designar, nem tão pouco explicar.
Esta é a essência. O que há de
mais puro, mais genuíno, verdadeiro. É o que distingue os momentos bons dos
outros. É este deixar entrar, é este dar desmedidamente, é ser altruísta nas
acções, no coração… é dar, dar sem esperar nada.
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