Os dias têm sido para mim
pequenos gumes afiados que vão rasgando a minha pele deixando ensanguentadas as
minhas mãos. São lágrimas salgadas que percorrem meu rosto procurando refúgio.
São as dores de quem vive já com
algumas certezas. As dores de quem sabe que nunca haverá esperança. Fogem os
sonhos das minhas mãos como uma folha de outono que é arrancada da sua árvore
num dia de vento… solta-se e rebola sem destino pelo alcatrão, sofre com a
chuva, e aos poucos vai secando e morrendo.
Não é que a minha vida seja
inundada de infelicidade. Não é. Muito pelo contrário. São as peças que estão
incompletas. O puzzle nunca ficará terminado. E eu olho para o painel e é tão
lindo! Mas não está terminado. Ai de mim que me dói saber que nunca o
terminarei.
Mudar! Impõe-se a mudança. Mas
que mudanças acarretam as mudanças? Mas como combato os medos e as incertezas? Quero
respostas, quero encontrar a solução. Mas como? Onde?
É esta roda viva. É este acordar
e correr de um lado para o outro que nem barata tonta. É o querer chegar a todo
lado.
Cansaço. Há em mim cansaço.
Preciso que me dê um tempo. Preciso de me encontrar. Quero respostas.
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