Joana. O nome dela é Joana. Frequenta
a escolinha no grupo dos três anos. Já fugiu de leões, já ficou de castigo uma
e outra vez. Já veio cá a casa. É a avó que a vai buscar, mas hoje não foi
porque ela se portou mal.
A Joana vive na cabeça de uma
ratinha de 3 anos. Não existe. Crueldade a minha. Ela existe, naquele mundo em
que a Pipa vive. Naquela escolinha em que a Joana anda, nas coisas que faz. Ela
existe. Quem sou eu para afirmar o contrário. Ouço divertidamente as histórias
da Joana e o rosto da Pipa altera-se quando fala dela, será por saber que eu
não a vejo?
A Pipa tem uma amiga imaginária,
com uma vida imaginária, mas para ela tudo é real.
Eu. Eu tenho uma vida real. Ou será
imaginária? Ultimamente não sei bem. Será que sonhei, será que aconteceu? Fico baralhada,
confusa e um pouco perdida. Penso nas coisas, sonho com elas mas será que
existiram?
Por vezes saio de mim (não sei
explicar isto muito bem) e sinto que tudo isto não está a ser vivido. Que estou
perante um ecrã qualquer amordaçada e acorrentada sem poder fazer nada, apenas
assistindo ao que me vai acontecendo… qual será o sonho? O que se passa à noite
de olhos cerrados, ou o que se passa com os olhos abertos?
Na minha cabeça vivem muitas
personagens. As do dia-a-dia, as das histórias de encantar, as das séries, dos
filmes, dos livros que leio. As mais assustadoras são as modeladas. Das planas
nada a dizer, nada se acrescenta, nada se retira. Mas as outras? A sua
densidade psicológica forma um nó na minha mente. Um nó desleixado, que nada ata
mas que atrapalha. Aquele que queremos arrancar com os dentes, sem usar a faca…
nunca se corta um nó. Desfaz-se. Aprende-se.
E é aqui que encontro a maravilha
da vida. Este encontro entre o real e o imaginário. Estas personagens que nos
vão moldando que nos vão transformando que nos obrigam a desfazer nós
descurados para aprendermos que os nós mais importantes são os direitos. Aqueles
que te apertam com força mas que te dão a liberdade de seres tu, livre e real. (ou
imaginário)
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