segunda-feira, 25 de março de 2013

Caminho


É hora de me fazer a caminho. Mochilas às costas, garagem aberta e bicicleta de pneus cheios. Levo no coração um medo escondido, como uma comichão chata que só queremos que desapareça, mas que pede que a coce mais. Não me recordo da última vez que me fiz a caminho de bicicleta. O que será que vou encontrar? Será que correrá bem? Ainda saberei ser escuteira em campo? E fora dele? Já há tanta coisa que não recordo…
A cada pedalada aumenta a dificuldade, o peso das mochilas multiplica-se, o coração bate com mais força. Será do esforço?
Sei que ninguém me conhece e que tudo será novo, sei que já há um trabalho conjunto que dura há vários meses. Será que encaixo?
Levo na minha mochila a vontade, o sempre alerta para servir, o amor ao próximo. Levo experiências para partilhar, levo a bicicleta à mão. O caminho não é fácil, a mochila toma conta do meu corpo. Empurro os dois. Não vou desistir. Sou persistente e levo as minhas convicções para a frente.
Faltam só mais uns metros. Subo para a bicicleta novamente. Ela leva-me. Eu só guio. Leva-me este meu amor ao escutismo. Eu só guio os meus passos, escolho um dos caminhos e vou com a mochila cheia de fé, convicta dos meus sonhos.
Chego finalmente. São muitos os olhos que pousam em mim, seja pela curiosidade de saber quem sou, seja pela surpresa de vir de bicicleta. Fiquei sem folego, o coração batia em alto ritmo, mas a alegria de partir para o desconhecido é inebriante.
Afinal fazer caminho é mesmo assim, uma viagem de bicicleta com uma mochila carregada de sonhos que nos empurram, as viagens são difíceis, cheias de provações, mas somos fortes porque acreditamos e somos movidos por algo maior.
Senti que estava com todos desde o primeiro dia, senti-me em casa, senti o carinho, senti a partilha.
Obrigada por encherem a minha mochila de alegria, de momentos únicos e por me mostrarem que isto de andar nos escuteiros é como andar de bicicleta: Nunca se esquece….
Boa caça
Gato Preto

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