É hora de me fazer a caminho. Mochilas
às costas, garagem aberta e bicicleta de pneus cheios. Levo no coração um medo
escondido, como uma comichão chata que só queremos que desapareça, mas que pede
que a coce mais. Não me recordo da última vez que me fiz a caminho de
bicicleta. O que será que vou encontrar? Será que correrá bem? Ainda saberei
ser escuteira em campo? E fora dele? Já há tanta coisa que não recordo…
A cada pedalada aumenta a
dificuldade, o peso das mochilas multiplica-se, o coração bate com mais força. Será
do esforço?
Sei que ninguém me conhece e que
tudo será novo, sei que já há um trabalho conjunto que dura há vários meses. Será
que encaixo?
Levo na minha mochila a vontade,
o sempre alerta para servir, o amor ao próximo. Levo experiências para
partilhar, levo a bicicleta à mão. O caminho não é fácil, a mochila toma conta
do meu corpo. Empurro os dois. Não vou desistir. Sou persistente e levo as
minhas convicções para a frente.
Faltam só mais uns metros. Subo para
a bicicleta novamente. Ela leva-me. Eu só guio. Leva-me este meu amor ao
escutismo. Eu só guio os meus passos, escolho um dos caminhos e vou com a
mochila cheia de fé, convicta dos meus sonhos.
Chego finalmente. São muitos os
olhos que pousam em mim, seja pela curiosidade de saber quem sou, seja pela
surpresa de vir de bicicleta. Fiquei sem folego, o coração batia em alto ritmo,
mas a alegria de partir para o desconhecido é inebriante.
Afinal fazer caminho é mesmo
assim, uma viagem de bicicleta com uma mochila carregada de sonhos que nos
empurram, as viagens são difíceis, cheias de provações, mas somos fortes porque
acreditamos e somos movidos por algo maior.
Senti que estava com todos desde
o primeiro dia, senti-me em casa, senti o carinho, senti a partilha.
Obrigada por encherem a minha
mochila de alegria, de momentos únicos e por me mostrarem que isto de andar nos
escuteiros é como andar de bicicleta: Nunca se esquece….
Boa caça
Gato Preto
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