Um amigo meu partilhou hoje um
artigo sobre o Ask.fm e o modo como os jovens se agridem verbalmente,
psicologicamente, acabando por serem vítimas de bullying.
Ontem estive na Livraria Arnado onde
me deliciei com uma compilação de Luísa Ducla Soares de poemas dela e de outros
autores com matérias do 1º ciclo.
E perguntam vocês qual a relação
entre estas minhas duas frases. Aparentemente nada, não é?
Pois tenho uma teoria sobre isto….
Deixaram-se de ler histórias às
nossas crianças… deixou-se de criar castelos, princesas, dragões, mau feitores
e outros mais no imaginário delas. Toda a história não é apenas uma história,
não são palavras que se juntam ao acaso, não são ideias desconexas. Cada história
tem implícito o bem e o mal, o respeito, o egoísmo e o altruísmo, cada história
tem o dom de ensinar, sem que as crianças saibam muito bem, o que são estes
valores, elas guardam lá no fundo da sua mente os valores que prevalecem, os
valores que serão as bases para o seu futuro.
Hoje em dia, até porque nós pais
temos mais que fazer, é mais simples dar às crianças um computador para se
entreterem, uma WII, uma PSP, qualquer coisa em que possam estar entretidos
para estarmos à vontade nos nossos afazeres do dia a dia. Sim, a mim também me
convém que elas passem um tempito em frente à televisão para eu puder fazer as
minhas coisas…. Todos nós o fazemos.
Chegam à adolescência. São jovens
terra a terra. São jovens do clique, do imediato, do consumo, do fácil. São jovens
do ler dá trabalho, interpretar muito trabalho, do escrever nem pensar, do
construir textos que maçada. São jovens que não entendem poesia porque é demasiado
complexa, não compreendem o simbólico, o entrelinhas… são jovens que optam pelo
acessível. É tão fácil chegar a um computador e dizer o que lhes apetece. Conquistas?
Fazer amizades, confiar??? Isso requer tempo e paciência. Como dizia o
Principezinho há que cativar, se me cativares serei teu… quantos jovens fazem
isto? Quantos dedicam tempo à sua flor (seja ela amigos, famílias namorados)?
Ontem li poemas à minha filha. Tem
5 anos. Ela gostou, mas quando perguntei o que tinha ela percebido, a resposta
foi um não sei. Tive de a direcionar, tive de lhe explicar. Não sei se um dia
também ela se vai sentar frente a computador escrevendo frases diabólicas desprovidas
de bom senso e de respeito, mas tento agora fazer algo para que no futuro isso
possa não acontecer, para que a sua mente seja mais arejada.
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