segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


Saio de casa. A lua brilha sorrindo para mim com a sua companheira estrela mesmo ali ao lado. O frio toca-me no nariz como que a dar-me os bons dias. A música marca o ritmo dos meus passos. Aos poucos as pernas ficam geladas e as mãos transpiradas. O ritmo aumenta e os meus pés parecem mover-se sozinhos, sem comando.

Penso em pessoas, na vida, na efemeridade, na inveja, no egoísmo, em pessoas.

Ontem cruzei-me com um casal caído no chão. A senhora sentiu-se mal e caiu fazendo tombar o marido. O senhor estava com cara de quem se tinha magoado bastante mas levantou-se sozinho. Juntos levantámos a senhora que estava magoada não sei se mais fisicamente ou se apenas psicologicamente. As lágrimas escorriam tímidas pelo rosto magoado pela vida. Ali vive o sofrimento, ali está uma pessoa sem forças e sem vida. O senhor justifica-se que é da medicação que a esposa anda a tomar, provoca tonturas e que é um pau de dois bicos (palavras dele). Dizia ele que se a víssemos há dois dias era uma pessoa cheia de vida. Mas ali só vivia a apatia.  

O dia agora clareou. Ao longe estende-se um manto laranja ainda banhado por um ténue nevoeiro. Não me perece que vá ser um dia visitado pelo sol.

Cruzamo-nos todos os dias com pessoas que têm falta de caráter, que passam por cima de nós, que nos magoam, que tratam de tornar o nosso dia num novelo de lã enrolado do qual não nos conseguimos libertar. Pessoas que sugam a nossa boa disposição, que sugam o nosso eu e nos nossos olhos fica a apatia, passamos a ser um saco que tenta estar de pé a muito custo. Mas tombamos e levamos os outros connosco, levamos os que amamos a tombar também.

Estou a poucos passos de casa. O dia está cada vez mais claro.

Sabem que mais? Não quero tombar. Este saco há de encher-se com amor, com este carinho bom que só as boas pessoas têm. Neste saco não cabem as invejas, as hipocrisias e as miudezas, podem encher os vossos sacos com elas…

O dia raiou, e eu falo do meu dia aquilo que EU quero!

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