Dizem que o mundo caba amanhã. E acaba
mesmo. Não é treta, não é apenas uma teoria maluca do povo maia… é verdade. Acreditem
mesmo. É verdade!
O mundo acaba amanhã. Já hoje
acabou. E depois de amanhã também acabará. O mundo acaba de cada vez que alguém
de quem gostamos muito se ausenta, ao ponto de nos esquecer. O mundo acaba de
cada vez que um olhar nos diz que ali já não há amor, só piedade, compaixão. O mundo
acaba quando uma mãe segura nos seus braços uma criança inanimada. O mundo
acaba quando sabemos que jamais poderemos olhar nos olhos, trocar palavras com
alguém que já partiu. O mundo acaba quando descobrimos que não há cura para
aquela doença e que o fim está próximo. O mundo acaba quando o desespero toma conta
de nós, quando os nós da vida são tão apertados que nos sufocam e enforcam. O mundo
acaba…. e aos poucos parece que não conseguimos respirar e que por momentos o
coração para e o filme da nossa vida passa à nossa frente (cliché típico destas
situações) Todos os dias o mundo acaba.
E todos os dias o mundo recomeça.
A respiração volta, primeiro com inspirações profundas, depois expirações de alívio.
O coração bate bem devagar, ao ritmo das inspirações, depois, compassadamente
ao ritmo do bater de asas da borboleta. É hora! Hora de recomeçar. Sim, o mundo
acaba para todos nós em determinada altura. E depois recomeça. E com ele, nós
também!
E que o mundo acabe mesmo. Que as
tão tradicionais resoluções de ano novo sejam levadas a sério. Que o mundo
acabe para que possamos valorizar aquele que está ao nosso lado sempre, que nos
mantém em pé e que nos acompanha sempre. Que o mundo acabe para que possamos
entender a importância de estar e de partilhar momentos com aqueles que são
nossos (amigos, familiares, queridos). Que o mundo acabe para que possamos entender
que há sonhos que não devemos adiar. Que o mundo acabe aqui e agora para o
possa surgir um mundo melhor. Um mundo onde as mães não matam os filhos, um
mundo onde os políticos são pessoas sensatas, um mundo onde as crianças são bem
cuidadas, protegidas, acarinhadas e amadas, onde os adultos são pessoas
razoáveis e justa. Era preciso que o mundo acabasse mesmo.
Que acabe, então, o mundo!
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