São algumas as vezes que me
inquiro sobre a razão de colocar palavras no papel. Do mesmo modo que batemos o
pé ao ritmo da música, do mesmo modo que bebemos água quando temos sede, do
mesmo modo que sorrimos ao ouvir a riso da criança, assim me saem as palavras.
São pedaços de mim que me fogem e se atiram contra o papel. E eu deixo-os ficar
por lá… expondo parte daquilo que sou, revelando parte deste mundo que nem eu
ainda conheço, deste mundo baralhado e confuso como um dia de nevoeiro.
Perco-me cá dentro, procuro o farol mas não encontro a sua luz e vagueio em
mim, percorro diferentes caminhos, procurando não sei bem o quê. E será que
quero encontrar? Encontrar-me?
Há nos dias uma razão. Há uma missão
em nós. Não quero da vida um sentido. Quero todos os sentidos possíveis. Quero tudo
o que me faça sentido. Tudo o que me faça sentir. Tudo o que me faça nascer uma
e outra vez. Morrer e nascer uma e outra vez. É na dor, na desilusão, no abalo
que nos encontramos. Ao renascer, ao buscar nova luz, que encontramos
sentimentos novos, decisões novas e novos sonhos.
E há dias em que me canso de mim.
Quero sair deste corpo, desta mente. Quero ser diferente, quero descansar deste
eu desassossegado… Ser apenas. Afinal para quê procurar o farol? Por que razão
tenho de encontrar sentidos e de me encontrar? Ser. Viver o dia. Passar pelo
dia sem grandes expetativas, sem desilusões, sem conquistas… só passar…
Mas há mais em mim. E este ser
não sossega. Quero mais de mim.
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