Saio de casa. A lua brilha
sorrindo para mim com a sua companheira estrela mesmo ali ao lado. O frio toca-me
no nariz como que a dar-me os bons dias. A música marca o ritmo dos meus
passos. Aos poucos as pernas ficam geladas e as mãos transpiradas. O ritmo aumenta
e os meus pés parecem mover-se sozinhos, sem comando.
Penso em pessoas, na vida, na
efemeridade, na inveja, no egoísmo, em pessoas.
Ontem cruzei-me com um casal
caído no chão. A senhora sentiu-se mal e caiu fazendo tombar o marido. O senhor
estava com cara de quem se tinha magoado bastante mas levantou-se sozinho. Juntos
levantámos a senhora que estava magoada não sei se mais fisicamente ou se
apenas psicologicamente. As lágrimas escorriam tímidas pelo rosto magoado pela
vida. Ali vive o sofrimento, ali está uma pessoa sem forças e sem vida. O senhor
justifica-se que é da medicação que a esposa anda a tomar, provoca tonturas e
que é um pau de dois bicos (palavras dele). Dizia ele que se a víssemos há dois
dias era uma pessoa cheia de vida. Mas ali só vivia a apatia.
O dia agora clareou. Ao longe
estende-se um manto laranja ainda banhado por um ténue nevoeiro. Não me perece
que vá ser um dia visitado pelo sol.
Cruzamo-nos todos os dias com
pessoas que têm falta de caráter, que passam por cima de nós, que nos magoam,
que tratam de tornar o nosso dia num novelo de lã enrolado do qual não nos
conseguimos libertar. Pessoas que sugam a nossa boa disposição, que sugam o
nosso eu e nos nossos olhos fica a apatia, passamos a ser um saco que tenta
estar de pé a muito custo. Mas tombamos e levamos os outros connosco, levamos
os que amamos a tombar também.
Estou a poucos passos de casa. O dia
está cada vez mais claro.
Sabem que mais? Não quero tombar.
Este saco há de encher-se com amor, com este carinho bom que só as boas pessoas
têm. Neste saco não cabem as invejas, as hipocrisias e as miudezas, podem
encher os vossos sacos com elas…
O dia raiou, e eu falo do meu dia
aquilo que EU quero!
:-) Que hajam mais dias assim! Bjinhs
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