8 da manhã. O frio
entranha-se no meu corpo. O café da manhã desperta-me para um novo dia na
escola. Cá fora alguns colegas trocam as primeiras palavras do dia. Eu sou
apenas uma contratada e são muitos os dias em que me sinto uma professora
menor. Menor experiência, menor de idade, menor muitas coisas.
Chego à sala dos professores
e há uma clara divisão. Troco palavras com aqueles que me conquistaram e que
conquistei e que certamente jamais esquecerei. Toca a campainha. Pego no livro
de ponto e sinto-me viva, realizada, a viver o sonho de uma vida. Dirijo-me ao
pavilhão, subo as escadas e entro na sala que se vai compondo. E ali estou eu.
No meu mundo. Certa do que faço, a dar tudo o que tenho, a fazer aquilo que sei
melhor. E o esforço do trabalho a dobrar compensa. Eles percebem, entendem,
ficam fascinados com as novidades, querem mais. E eu sorrio e sei. Sei que é
aquele o meu lugar.
Mas o ano termina. As
(algumas) colegas olham de lado desconfiadas, certas de que sou uma novata na
coisa. Os alunos já suspiram com algumas saudades, sei que sim. Eu sei que não
será fácil voltar.
Ficou um sorriso no rosto
deles e no meu. Ficou o sonho realizado. Ficou parte de mim. Ficou o meu
melhor. Sei que os jogos os fizeram vibrar e lutar por saber mais. Sei que o
desafio de os fazer escrever de 15 em 15 dias fez deles melhores escritores e
melhores leitores. Sei que a minha proximidade com eles nos fez bem,
respeitámo-nos. A caixa das histórias fazia-os sonhar.
Ali ficou a professora que
sempre quis ser. Ficaram as palavras daquela mãe que ingenuamente pediu que eu
ficasse no ano seguinte. Ficaram as doces palavras da sapientíssima Alda
congratulando-me pelo trabalho apresentado. Que doce vitória para um ano tão
complicado.
Dar aulas de novo?
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