Imagino-o sentado numa rocha
Os seus olhos alcançam o horizonte
Perdem-se entre as florestas, as montanhas,
Os rios, as casas, os mares…
As suas barbas brancas escondem o seu rosto
Há nele um peso gigantesco
Um semblante carregado como uma nuvem cinzenta
Que paira no ar e que esperamos que rebente a qualquer altura
A certa altura esconde a cabeça entre os joelhos
Como que espera que alguém a arranque daquele esconderijo
Queria poder sentar-me junto a ele
Queria poder entender
Queria poder explicar
Queria poder…
Cada marca no seu rosto cansado
É um dedo que lhe foi apontado
Um dedo delator
Um dedo fraco
ignorante, arrogante.
Culpam-no de tudo.
Se há alguém que tem culpa dos fracassos
da vida, dos sonhos, das relações…
Foi ele.
Tudo ele.
Ninguém vê que ele não tem culpa.
Ele é o que é.
A culpa é nossa.
Ele não fez nada.
É tempo de lhe dar tempo
E não culpar o tempo
De não haver tempo
Porque o há.
Faz tu o teu tempo!
gostei! muito.
ResponderEliminarcontinua!
rf