domingo, 7 de abril de 2013


Imagino-o sentado numa rocha
Os seus olhos alcançam o horizonte
Perdem-se entre as florestas, as montanhas,
Os rios, as casas, os mares…
As suas barbas brancas escondem o seu rosto
Há nele um peso gigantesco
Um semblante carregado como uma nuvem cinzenta
Que paira no ar e que esperamos que rebente a qualquer altura

A certa altura esconde a cabeça entre os joelhos
Como que espera que alguém a arranque daquele esconderijo

Queria poder sentar-me junto a ele
Queria poder entender
Queria poder explicar
Queria poder…

Cada marca no seu rosto cansado
É um dedo que lhe foi apontado
Um dedo delator
Um dedo fraco
ignorante, arrogante.

Culpam-no de tudo.
Se há alguém que tem culpa dos fracassos
da vida, dos sonhos, das relações…
Foi ele.
Tudo ele.

Ninguém vê que ele não tem culpa.
Ele é o que é.
A culpa é nossa.
Ele não fez nada.



É tempo de lhe dar tempo
E não culpar o tempo
De não haver tempo
Porque o há.
Faz tu o teu tempo!

1 comentário: